In Europa la piéce brasiliana "O Sapato do Meu Tio"
Antonella Rita Roscilli
Foto di Ricardo Sena
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugûes)

La piéce teatrale brasiliana "O Sapato do Meu Tio" (La Scarpa di Mio Zio), dopo aver girato in tournée più di 50 città dal nord al sud del Brasile, aver partecipato a numerosi festivals in Cile, Guyana francese, Repubblica Dominicana e Spagna, sbarca in questo 2014 nell'estate europea. Sarà presentato in Francia al Festival d'Avignon Off (05-27 luglio), con il titolo "Les Chaussures de Mon Oncle". E quindi, si traferirà in Scozia dove sarà presente al Festival Fringe di Edimburgo (5-24 agosto), con il titolo "My Uncle's Shoes" .

Con testo e interpretazione di Alexandre Luis Casali e Lucio Tranchesi, regia di João Lima, direzione musicale e colonna sonora originale di Jarbas Bittencour, la piéce è prodotta da Selma Santos (una delle produttrici più creative e di qualità di Salvador, Bahia), ideatrice del "Festival internazionale di Artisti di Strada", giunto ​​quest'anno alla decima edizione (http://www.selmasantos.com.br).  

In questi nove anni di esistenza, lo spettacolo teatrale si è dotato di un rilevante curriculum, ricco di recensioni e spettacoli, ai quali hanno assistito oltre 80.000 persone in più di 300 presentazioni. "O Sapato do Meu Tio", racconta con umorismo e sensibilità, il quotidiano  di due personaggi: un artista che fa il clown, e un apprendista che è suo nipote. Per le loro esibizioni, I due viaggiano da una città all'altra con un carrozzone. All'inizio il nipote è semplicemente colui che conduce il carrozzone e appare rassegnato nella condizione di servitore di un grande artista. Ma lo zio inizia a insegnare la sua arte al nipote, mostrando un rapporto di poche parole, ma pieno di rispetto, umorismo e, soprattutto, di poesia. Tra successi e insuccessi, i personaggi rendono un vero e proprio tributo al mestiere di clown.

Temi  quali il trascorrere del tempo e l'apprendimento vengono rappresentati sia attraverso il dramma che la commedia. E nel corso del tempo, con l'apprendistato, avviene tra loro uno scambio profondo. Il nipote apprende la raffinatezza tecnica e artistica dello zio, ma lo zio, mentre insegna, diviene più consapevole delle sue vanità e apprezza il valore dell'umiltà del più giovane. Si alternano sulla scena momenti di ilarità e dolore, delicatezza, gioia e tristezza, risate e lacrime.

Il regista João Lima afferma: "Se qualcuno mi chiedesse di che materia è fatto "O Sapato do meu Tio", non saprei cosa rispondere. Di solito le scarpe sono fatte con la pelle di un animale, prima allungata e poi messa in conceria, serve al  nostro comfort. Ma questo spettacolo parla anche di pietre che possono entrare nella scarpa: fame, convivenza, padronanza tecnica, accoglienza del pubblico, lotta per la sopravvivenza, volontà di eccellere e superare l'altro".

La piéce, in realtà, appare come metafora della vita, materializzata nella immagine del carrozzone; la scarpa forse può rappresentare la conoscenza acquisita con l'esperienza, che viene tramandata ai più giovani. Tutto è al posto giusto, gli oggetti ogni volta sono riposti nel carro e il viaggio prosegue. Anche il "silenzio" diviene un personaggio rivelandosi uma potente arma. Ogni azione ha un senso, un ritmo tranquillo e sicuro. Quello che deve essere, succederà e il cerchio si concluderà per ricominciare subito dopo nella continuità ciclica del Tempo.

"O Sapato do Meu Tio" lascia riflettere sulla caducità della vita, la solidarietà, il rispetto reciproco, l'apprendimento e la crescita umana. Il testo poetico, la bella colonna sonora, la magistrale interpretazione dei due autori e attori Alexandre Luis Casali e Lucio Tranchesi, riescono a trasmettere umorismo, dolcezza e soprattutto concetti che appartengono a tutti, in qualsiasi parte del mondo essi vivano.
 
 
 
-------------------------------------------------------------------------------


TEXTO EM PORTUGÛES   (Testo in italiano)

"O SAPATO DO MEU TIO" NA EUROPA
por
Antonella Rita Roscilli


                                                                               
                                                                                        Foto de Ricardo Sena


A peça teatral brasileira "O Sapato do Meu Tio", depois de viajar em mais de 50 cidades de norte a sul do Brasil e ter participado de diversos festivais no Chile, Guiana Francesa, Republica Dominicana e Espanha, neste ano de 2014 desembarga no verão europeu. Serà apresentada na França, no Festival d'Avignon Off (5-27 de julho), com título "Les Chaussures de Mon Oncle". Depois seguirà para Escocia onde, com titulo "My Uncle's Shoes", participarà do Festival Fringe de Edinburgh (5-24 de agosto).

Com texto e atuação de Alexandre Luis Casali e Lúcio Tranchesi, direção  de João Lima, direção musical e trilha sonora original de Jarbas Bittencour, a peça è produzida por Selma Santos (uma das produtoras mais criativas e de qualidade de Salvador, Bahia) que è também idealizadora do Festival Internacional de Artistas de Rua que chegou neste ano à sua décima edição ( http://www.selmasantos.com.br/) .

Celebrando nove anos em cartaz, o espetáculo já tem um currículo considerável de apresentações tendo sido visto por mais de 80 mil pessoas em mais de 300 apresentações. "O Sapato do Meu Tio" narra de forma humorada e sensível a convivência de um artista, um palhaço e seu aprendiz, sobrinho dele. Sobre uma carroça, os dois viajam de cidade em cidade. De início o sobrinho é um mero puxador de carroça, subserviente e resignado de sua condição de servo de um grande artista.

O Tio ensina sua arte para o sobrinho, revelando uma relação de poucas palavras, mas cheia de respeito, humor e, sobretudo, poesia. Entre sucessos e fracassos, os personagens apresentam uma verdadeira homenagem ao ofício do palhaço, onde temas como a passagem do tempo e a aprendizagem são explorados ora através do drama, ora da comédia. Com o tempo, o aprendizado se faz em via dupla: juntamente com as técnicas e o apuro artístico, o sobrinho aprende de seu tio a vaidade e o tio toma consciência do valor da humildade do mais novo. Alternam-se momentos de angústia, dor, alegria, tristeza, riso e lágrimas. Trata-se de uma homenagem ao ofício do palhaço e não só.

O diretor João Lima afirma: "Se alguém me perguntasse de que matéria é feito O Sapato do Meu Tio, não saberia responder. Os sapatos são feitos geralmente de couro de um animal, antes esticado e posto no curtume, para o nosso conforto. Mas este espetáculo fala de pedras que ficam no sapato, incomodando. A fome, a convivência, o domínio da técnica, a recepção do público, a luta pela sobrevivência, a vontade de se superar e superar o outro, uma carroça, um par de sapatos, um palhaço e seu sobrinho-ajudante-querendo-também-ser-palhaço, o mestre-aprendiz e o aprendiz-mestre."

A peça pode ser metáfora da Vida, que na cena se materializa no andar constante da carroça e na continuidade cíclica do Tempo; o sapato pode representar o conhecimento que se perpetuará. Assistir a esta peça vale a pena e è uma verdadeira experiência dentro e fora de si mesmo. "O Sapato do Meu Tio" consegue levar o público do muito riso às lágrimas, deixando-o refletir sobre a transitoriedade da vida, a solidariedade, o respeito mútuo, o aprendizado e o crescimento do ser humano.

Tudo está no lugar certo, desde os objetos de trabalho  na carroça até as ações que se desencadeiam. Os atores sabem o lugar de cada gesto, de cada olhar, e tudo tem um ritmo certo e tranqüilo, do que deve ser e serà. Nenhuma ação deles é gratuita: até o “silêncio” representa mais uma personagem e torna-se em alguns momentos uma arma poderosa. O texto poético, a trilha sonora original e  bem interessante, junto com a interpretação magistral dos dois autores e atores Alexandre Luis Casali e Lúcio Tranchesi, conseguem nós transmitir humor, doçura, e sobretudo conceitos universais, que pertencem aos seres humanos em qualquer parte do mundo eles vivam.             
 
 
Antonella Rita Roscilli. Brasilianista, giornalista, scrittrice e traduttrice. Da oltre venti anni si dedica alla divulgazione di cultura e attualità del Brasile e Paesi dell’Africa di lingua portoghese, con articoli pubblicati nella stampa e nel modo accademico internazionale, oltre a convegni e conferenze. Laureata in Italia in Lingua e Letteratura Brasiliana, è in Brasile Mestra em Cultura e Sociedade, membro corrispondente della Academia de Letras da Bahia, e dell'IGHB. Ideatrice nell'area documentaristica. E' biografa della memorialista brasiliana Zélia Gattai Amado, su cui ha pubblicato le opere Zélia de Euá Rodeada de Estrelas (ed. Casa de Palavras, 2006), Da palavra à imagem em “Anarquistas, graças a Deus” (ed. Edufba/Fapesb, 2011). Ha curato in Italia la post-fazione dell’edizione di Un cappello di viaggio (ed. Sperling &Kupfer).