"TODA A SAUDADE DO MUNDO: A CORRESPONDENCIA DE JORGE AMADO E ZÉLIA GATTAI” (Ed.Companhia das Letras). A cura di JOÃO JORGE AMADO -Testo in italiano e in portoghese-
Antonella Rita Roscilli
La copertina del libro "Toda a Saudade do Mundo"
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugûes)

Parole, lettere, memoria, storia, politica, sorrisi, lagrime, sentimenti, amicizia, amore, l’amore di due Anime: tutto questo è racchiuso nel libro Toda a saudade do mundo: a correspondência de Jorge Amado e Zélia Gattai. Do exílio europeu à construção da Casa do Rio Vermelho (1948-1967”, (ed. Companhia das Letras, 2012), organizzato da João Jorge Amado, il loro primo figlio.

L’opera epistolare verrà presentata al pubblico a Salvador de Bahia, giovedì 4 ottobre 2012, al Museo Carlos Costa Pinto, insieme alla riedizione del libro “Bahia de todos os Santos” (ed. Companhia das Letras). Vi sarà la presentazione di Francisco Senna; interverranno João Jorge Amado e Paloma Amado, figli di Jorge e Zélia, insieme a Myriam Fraga e Arthur Guimarães Sampaio, rispettivamente Direttrice e Presidente della Fundação Casa de Jorge Amado.

“Toda a saudade do Mundo” viene alla luce nell’anno 2012, anno in cui si celebra in tutto il mondo il Centenario della nascita di Jorge Amado. Racchiude le lettere inedite dello scrittore e Zélia Gattai, sua moglie per 56 anni, scrittrice e memorialista di origini italiane. Le prime lettere risalgono al 1948. Fu infatti durante quell’anno che l’autore di tanti successi, tra i quali ricordiamo “Capitani della Spiaggia” , andò in esilio in Europa, in seguito alla revoca del mandato come deputato eletto dal Partito Comunista Brasiliano. Le lettere coprono il periodo che va fino al 1967, anno in cui la famiglia si stabilisce definitivamente a Salvador, nella casa di Rio Vermelho.

Ma Jorge Amado mantenne l’abitudine di scrivere lettere per tutta la vita. Coltivava l’arte della corrispondenza, non lasciava neppure uno dei suoi lettori senza risposta e amava inviare cartoline agli amici e parenti. Oltre alle lettere di Jorge a Zélia, che affettuosamente chiamava Zé, il libro contiene lettere che la coppia riceveva dal padre di Jorge, dalla madre e dalla sorella di Zélia, oltre a biglietti dei figli.

Le memorie si trasformano anche in una testimonianza del dopoguerra, della vita culturale e politica a Parigi, della partecipazione dello scrittore al Consiglio Mondiale della Pace e i frequenti viaggi a Berlino, Vienna, Praga, Bucarest, Stoccolma, Helsinky, Varsavia. Testimonianza di alcuni eventi storici come la guerra di Corea, l’embargo di Cuba, il premio Nobel conferito al poeta e amico Pablo Neruda. In alcuni casi per aggirare la censura, Amado evitava di parlare di politica e utilizzava alcuni "codici" per commentare alcune questioni con  Zélia Gattai.

Il tono delle lettere rivela un uomo appassionato e intimo quando scrive sul suo quotidiano, la politica, gli amici, la letteratura, il processo che utilizza nella scrittura dei romanzi. L'edizione è arricchita da foto di manoscritti e cartoline. Secondo l'organizzatore della ristampa delle opere di Jorge Amado, Thyago Nogueira, il volume raccoglie alcuni dei suoi ultimi testi inediti. "Ci sono altre lettere", ha detto Nogueira. "E ci sono una dozzina di pagine del romanzo di Boris Red, che stava scrivendo quando è morto e può essere rivelatrice."

Le lettere sono stati trovate dai figli in cinque cartelle lasciate da Zélia Gattai. "E’ stato difficile organizzare questo lavoro e riuscire a trattenere l’emozione" afferma João Jorge, tanto belle e intense appaiono queste lettere. Amado nel 1948 si trovava già in esilio a Parigi e aspettava che Zélia si organizzasse per raggiungerlo in nave insieme al loro bambino João Jorge.

In anteprima vi regaliamo qualche piccolo stralcio del libro. Infatti dal suo esilio parigino, Amado scrisse a Zélia il 13 marzo 1948 utilizzando parole che denotano un animo pieno di rispetto e di amore e attesa
Scrisse Jorge:” Mia cara, tutta la saudade del mondo. Da una settimana non ho tue lettere. Ho ricevuto ritagli da São Paolo e dalla scrittura ho capito che li avevi inviati tu e ho saputo così che già ti trovi a São Paulo. Ma dopo la tua lettera iniziata nella casa di campagna e terminata a Rio, non ho ricevuto più nulla e sono preoccupato. Immagino che sei indaffarata nei preparativi del viaggio, ma so anche che niente ti farebbe demordere dallo scrivermi. Temo che qualche lettera sia andata persa ….”.

E così i lettori potranno immergersi nella Memoria di un amore profondo che neppure la distanza e le difficoltà dei tempi intaccarono. Lettere scritte da un “uomo epistolare”, così il figlio João Jorge definisce il padre, Jorge Amado, il più famoso scrittore brasiliano nel mondo.
 
-------------------------------------------------------------------------------


TEXTO EM PORTUGÛES   (Testo in italiano)

Toda a saudade do mundo: a correspondência entre Jorge Amado e Zélia Gattai. Organizado Por João Jorge Amado. Ed. Companhia das Letras.
 
Palavras, cartas, memória, história, política, sorrisos, lágrimas, sentimentos, amizade e amor, o amor de duas almas: eis tudo quanto se encontra no livro Toda a saudade do mundo: a correspondência entre Jorge Amado e Zélia Gattai. Do exílio europeu à construção da Casa do Rio Vermelho (1948-1967), publicado pela Editora Companhia das Letras e organizado por João Jorge Amado, primeiro filho do casal.

A obra epistolar será apresentada ao público na cidade de Salvador, capital da Bahia, na quinta-feira, 04 de outubro de 2012, no Museu Carlos Costa Pinto, juntamente com a reedição do livro Bahia de todos os santos, também publicado pela Editora Companhia das Letras. O evento terá apresentação de Francisco Senna, além da presença e de uma conversa com os filhos de Jorge Amado e Zélia Gattai, João Jorge Amado e Paloma Amado. Também participarão do bate-papo Myriam Fraga e Arthur Guimarães Sampaio, respectivamente a diretora e o presidente da Fundação Casa de Jorge Amado.

Toda a saudade do mundo vem à luz neste ano de 2012, no qual se celebra, em todo o mundo, o centenário de nascimento de Jorge Amado. O livro contém cartas inéditas trocadas entre o escritor e sua esposa por 56 anos, Zélia Gattai, escritora e memorialista de ascendência italiana. As primeiras cartas remontam ao ano de 1948. De fato, foi naquele ano que o romancista de tantos sucessos, entre os quais Capitães da areia, esteve exilado na Europa – decorrência direta da cassação do seu mandato como Deputado eleito pelo Partido Comunista Brasileiro. As cartas cobrem o período que segue até o fim de 1967, ano no qual a família se estabelece definitivamente em Salvador, na casa do Rio Vermelho.

Contudo, Jorge Amado manteve o hábito de escrever cartas por toda sua vida. Cultivava a arte da correspondência, não deixava sem resposta sequer um de seus leitores e amava enviar cartões postais aos amigos e parentes. Além das cartas de Jorge e Zélia, chamada carinhosamente Zé, o livro contém cartas que o casal recebia do pai de Jorge, da mãe e da irmã de Zélia e, ainda, bilhetes dos filhos.

As memórias se transformam em um testemunho do pós-guerra, da vida cultural e política de Paris, da participação do escritor no Conselho Mundial da Paz e das frequentes viagens a Berlim, Viena, Praga, Bucareste, Estocolmo, Helsinki e Varsóvia. Testemunho de alguns eventos históricos como a guerra da Coréia, o embargo a Cuba, o prêmio Nobel conferido a Pablo Neruda, poeta e amigo. Em certos casos, para driblar censuras, Jorge Amado evitava falar diretamente sobre política, utilizando, para tanto, alguns “códigos” quando sentia a necessidade de comentar alguma questão com Zélia.

O tom das cartas revela um homem apaixonado e profundo quando escreve sobre o seu cotidiano ou sobre a política, sobre os amigos ou a literatura, a respeito do processo que utilizava na escrita dos romances. A edição é enriquecida por fotografias dos manuscritos e dos cartões postais. De acordo com o organizador da reedição das obras amadianas, Thyago Nogueira, o livro resgata alguns de seus últimos textos, que jaziam ainda inéditos: “Há outras cartas e também uma dúzia de páginas do romance Bóris, o vermelho, que ele estava escrevendo quando faleceu, e podem agora ser reveladas”, disse Nogueira.

As cartas foram encontradas pelos filhos em cinco pastas deixadas por Zélia Gattai. “Foi difícil organizar este trabalho e conseguir lidar com as emoções”, afirma João Jorge, dificuldade esta devida à intensidade de beleza e paixão das cartas. Jorge Amado, em 1948, encontrava-se já no exílio, em Paris, e esperava que Zélia se organizasse para encontrá-lo, junto ao pequeno filho, João Jorge.

De antemão, oferecemos aos leitores de SARAPEGBE um pequeno fragmento do livro. Com efeito, de seu exílio em Paris, Jorge Amado escreve a Zélia, em 13 de março de 1948, utilizando palavras que denotam uma alma à espera, repleta de respeito e de amor. Escreveu Jorge Amado:
 
               "Minha cara, toda a saudade do mundo. Há uma semana não recebo cartas tuas. Recebi recortes de São Paulo e pela escrita, percebi terem sido enviadas por ti e soube assim que já estás em São Paulo. Mas, depois de tua carta iniciada no sítio e terminada no Rio de Janeiro, não recebi mais nada e ando preocupado. Imagino que estás atarefada com os preparativos para a viagem, mas sei também que nada te faria desistir de me escrever. Temo que algumas cartas tenham sido extraviadas."
 
E, desta forma, os leitores poderão mergulhar nas profundezas de um amor que nem a distância ou os tempos difíceis puderam enfraquecer. São cartas escritas por um homem “epistolar” – assim o filho, João Jorge Amado, define o pai, Jorge Amado, o mais famoso escritor brasileiro no mundo.
Traduzione in portoghese di Antonio Carlos Monteiro Teixeira Sobrinho
Antonella Rita Roscilli è brasilianista e giornalista. Si dedica alla divulgazione di cultura e attualità del Brasile e Paesi dell’Africa lusofona. Laurea in Lingua e Lett. Brasiliana presso “La Sapienza”, Università di Roma. Mestre em Cultura e Sociedade (Facom-Ufba). Biografa della memorialista Zélia Gattai Amado, ha pubblicato le opere Zélia de Euá Rodeada de Estrelas (ed. Casa de Palavras, 2006), Da palavra à imagem em “Anarquistas, graças a Deus” (ed. Edufba/Fapesb, 2011). Ha curato la post-fazione dell’edizione italiana di Un cappello da viaggio (ed. Sperling &Kupfer) di Zélia Gattai. Collaboratrice della "Fundação Casa de Jorge Amado" di Salvador (Bahia). Socia correspondente dell’IGHB ("Instituto Geográfico e Histórico da Bahia"). E' membro corrispondente dell'Academia Baiana de Letras.