L'ANGOLO DEL RACCONTO. L' infanzia delle formiche -in Esclusiva italiana
Carlos Nejar
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugĂ»es)

 
Alcuni potrebbero considerarmi troppo fantasioso. La fantasia è la drammaticizzazione  dell'ordine. Ma l'ordine è meccanico senza fantasia. Ho vissuto in buona grazia con una formica nella tana, chiamatelo formicaio o villaggio. Ero minimo perchè avevo mangiato una semente di parola. Dentro vi si nascondeva l'energia per perdere le dimensioni, cosicchè  io divenni appena un pò più grande delle formiche. La formica che mi amava si chiamava Sherezade.

Curava la casa e si prendeva cura delle condizioni di cui io avevo bisogno per portare avanti la mia attività di storico dell'infazia delle formiche.  Un giorno Sherezade si sfogò e disse: "La vita è stata molto esigente con me". E io le risposi: "Anche tu esigi molto da lei. E allora da quando non accetterai più che la vita sia esigente con noi?" Il fatto è che io mi sentivo felice al suo fianco. Cercavo anche di comprenderla: era graziosa e  vivace.  Mi piacevano le sue pupille:  divenivano grandi quando amava. E amare è l'invenzione della felicità. Non è la dimensione che è felice. È l'essere.

Vedevo che  quella civiltà si era sviluppata nell'equa divisione dei beni, lì non si pativa la fame e nessuna altra ingiustizia. Tutti erano soddisfatti in una società che si era educata nel vivere.  Apprezzavo la nobiltà di quella specie e l'amore per Sherazade  contribuiva al fatto che la storia che stavo scrivendo, si ampliasse, con una certa propensione insita alla  favola, ma non meno alla realtà.

Come accade nella convivenza di due che si amano,  noi due iniziammo a somigliarci. Ed io iniziai ad uscire dalla razza umana per passare a quella delle formiche, forse  a causa dell' effetto ritardatario della semente.  Mi era toccato cambiare civiltà per  cambiare il volto dei sogni. E Sherezade mi aveva assicurato con fermezza:"In amore i sogni sono reali. Perché amare è sognare in modo diverso".

E con amore  mi incamminavo  verso la più solida umanità delle formiche.



Traduzione in italiano di A.R.R:
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Carlos Nejar. Poeta, romanziere e critico brasiliano. In Brasile è il traduttore delle opere di Pablo Neruda e Jorge Luis Borges. Nel saggio del critico svizzero Gustav Siebenmann, Poesía Y Poéticas del Siglo XX En La América Hispana Y El Brasil (Ed. Gredos, Biblioteca Románica Hispânica, Madri, 1997), é considerato uno dei 37 scrittori-chiave tra 300 autori importanti, nel periodo compresto tra il 1890 e 1990. E´menzionato tra i 14 maggiori della letteratura brasiliana, tra gli altri, al lato di Cruz e Sousa, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos.Nato a Porto Alegre (Rio Grande do Sul-Brasile), abita nella “Casa del Vento” nel quartiere Urca, a Rio de Janeiro. E’ membro dell’Academia Brasileira de Letras e dell’Academia Brasileira de Filosofia. La sua opera letteraria è vasta: è autore di innumerevoli romanzi, saggi, antologie di poesie. Ricordiamo il saggio Storia della letteratura brasiliana, ed. Leya, São Paulo, giunto alla seconda edizione. Ha ricevuto la più alta onorificenza dal suo stato di origine “A Comenda Ponche Verde” e nel 2010 ha ricevuto in Minas Gerais “A grande Medalha da Inconfidência”. Nel 2011 è uscita la terza edizione di “Viventes” ed è stato indicato per il Nobel della Letteratura dall’Academia brasileira de Filosofia. Lo scrittore gaucho, tradotto in varie lingue, viene studiato in università in Brasile e all’estero. Tra le sue pubblicazioni ricordiamo:
Poesia: Sélesis , 1960, Livro de Silbion (1963), O Campeador o Vento (1966), Ordenações (1971), Canga (Jesualdo Monte, 1971), O Poço do Calabouço (1974), Árvore do mundo (1976), O Chapéu das Estações (1977) , Os Viventes (1978), Um País, O Coração (1980), Livro de Gazéis (1984), Memórias do Porão (1985), Elza dos pássaros ou a ordem dos planetas (1993), A Idade da Aurora (1990); Os Viventes ,Editora Record, 1999. Al compimento dei settantanni ha pubblicato la maggior parte delle sue poesie in I.Amizade do mundo; II. A Idade da Eternidade, editora Novo Século, São Paulo, 2009. E Odysseus, o velho, 2010, “A Vida de um Rio Morto – Monumento ao Rio Doce” (ed. Ibis Libris, 2016)
Antologie: De Sélesis a Danações (Ed.Quíron,SP, 1975 ), A Genealogia da Palavra (Ed. Iluminuras, SP, 1989), Minha Voz se chamava Carlos (Unidade Editorial-Prefeitura de PA, RS, 1994), Os Melhores Poemas de Carlos Nejar, con prefazione e selezione di Léo Gilson Ribeiro (Ed. Global, S.Paulo, 1998); Breve História do Mundo , Ediouro, prefazione e selezione di Fabrício Carpinejar, 2003, già esaurito.
Romanzi: O Túnel Perfeito, O Selo da Agonia ( ou livro dos cavalos), Carta aos loucos, Riopampa, ou o Moinho das Tribulações ( Prêmio “Machado de Assis”, da Fundação da Biblioteca Nacional, em 2000), O Livro do Peregrino , A Engenhosa Letícia do Pontal, O Poço dos Milagres (Prêmio per la migliore prosa poetica assegnato da Associação Paulista de Artes di São Paulo nel 2005), Jonas Assombro. A vida secreta dos gabirus (ed. Record, 2014), Teatro in Versi: Miguel Pampa, Fausto, Joana das Vozes, As Parcas , Favo branco (Vozes do Brasil), Pai das Coisas, Auto do Juízo Final – (Deus não é uma andorinha), Funarte, Rio, 1998. A chama é um fogo úmido, ( 1994), Ed. Escrituras, 2ª edição , Caderno de Fogo, 2000.




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E’ vietata la riproduzione, anche parziale, dei testi pubblicati nella rivista senza l’esplicita autorizzazione della Direzione
 

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TEXTO EM PORTUGĂ›ES   (Testo in italiano)

A   INFÂNCIA DAS  FORMIGAS
por
Carlos Nejar 




                                                                   

Poderão alguns considerar-me fantasioso . A fantasia é a dramaticidade da ordem . Mas a ordem é mecânica sem fantasia . Vivi em boas graças com uma formiga na toca, o formigueiro , ou aldeia . Eu era mínimo, comi uma semente de palavra.  Dentro dela  se ocultava a energia de perder tamanho, até  ficar um pouco maior que as formigas . Xerezade era a formiga que me amou ,cuidava dos fazeres da casa  e das condições  de que eu precisava para ser historiador da infância das formigas.

Um dia Xerezade desabafou : - A vida tem exigido de mim . E lhe respondi : - Também exiges muito dela.
E desde quando deixará a vida de nos exigir ? O fato é que era feliz ao seu lado. Tratava também de compreendê-la : brejeira e briosa . Gostava de suas pupilas : eram grandes quando amava.  E amar é a invenção da felicidade. Não é o tamanho que é feliz . É o ser .  

E eu via como aquela civilização se desenvolvera na divisão equânime dos bens, não havendo fome  e nem por isso, injustiça. Todos eram saciados  numa sociedade que se educara, vivendo.

E apreciei a nobreza da espécie e o amor por Xerezade contribuiu para que a história que escrevia se  ampliasse, com certo instinto de fábula  e não menos de realidade .No convívio de dois  que se amam , começamos a nos parecer .

E  fui saindo da estirpe humana para a das formigas , talvez pelo poder retardatário da semente .O que me tocava era o de mudar de civilização , para mudar a face dos sonhos . E Xerezade afiançara com firmeza : - No amor que os sonhos são reais. Porque amar é sonhar diferente .

E de amor eu transitava para a mais sólida humanidade das formigas .



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CARLOS NEJAR. Luiz Carlos Verzoni Nejar , cujo nome literário é Carlos Nejar , nasceu em 11 de janeiro de 1939, em PAlegre , estudou no Colégio do Rosário , formando em Ciências Jurídicas e Sociais na PUC , 1962, passando na primeira turma no Concurso para o Ministério Público Estadual , em 1963, sendo promotor em vários recantos do pampa: Pinheiro Machado, Bagé, Uruguaiana, Taquari, Itaqui, Erexim, Caxias , tendo sido assessor do Procurador Geral , capital do Rio Grande e Procurador de Justiça. Atualmente aposentado. Radicou-se  na “Morada do Vento” , na Urca . Pertence à  Academia Brasileira de Letras, cadeira 4, na sucessão de outro gaúcho, Vianna Moog, eleito também para a Academia Brasileira de Filosofia e Pen Clube do Brasil. Recebeu a mais alta condecoração de seu Estado natal , “A Comenda Ponche Verde” e de Minas Gerais, “A grande Medalha da Inconfidência”,em 2010.E chega ao setenta e dois anos , graças a seu espírito renascentista, com fama de poeta reconhecida, tendo construído uma  obra importante em vários gêneros – tanto no romance, quanto no teatro, no conto , na criação infanto-juvenil – publicou, agora em  2ª edição , sua  História da Literatura Brasileira , pela Ed. Leya de São Paulo,  onde assinala a  marca do ensaísta.
É considerado  um dos 37 escritores chaves do século,  entre 300 autores memoráveis, no período compreendido de 1890-1990, segundo ensaio, em livro,  do crítico suíço  Gustav Siebenmann:”Nejar encarna de modo convincente, pero  con  modestia en  discreto retraimiento , el logro de aquella síntesis ,en tantos lugares anhelada  y tan  raramente cumplida, entre  innovación  y tradición , entre crítica de malestar y esperanza .Está entre los 37 poetas imprescindibles de los 300 poetas memorables de América Hispana y el Brasil, en el período de  1890-1990 “(Poesia y poéticas Del siglo XX em la América Hispana y El Brasil, Gredos, Biblioteca Românica Hispânica,Madrid, 1970. Publicou, em poesia: Sélesis , 1960,   Livro de Silbion (1963), O Campeador o Vento (1966), Ordenações (1971), Canga (Jesualdo Monte, 1971), O Poço do Calabouço (1974),  Árvore do mundo (1976), O Chapéu das Estações (1977) , Os Viventes (1978), Um País, O Coração (1980), Obra Poética I (1980), Livro de Gazéis (1984), Memórias do  Porão (1985) ,  Elza dos pássaros ou a ordem dos planetas (1993),  Simón Vento Bolívar (bilíngüe,espanhol-português, trad.  Luis Oviedo, 1993), Aquém da Infância (1995), Os Dias pelos Dias (Ed. Topbooks, 1997, Rio), Sonetos do Paiol , ao Sul da Aurora (Ed. LP&M, 1997, POA),   todos  de poesia .Editou a rapsódia sobre a Fundação do Brasil, A Idade da Aurora  (1990); Os Viventes ,Editora Record,  1999;A Espuma do Fogo ( Sinfonia Pampeana em sol e dor maior), 2001; Poesia Reunida : A Idade da Noite e A Idade da Aurora, Ateliê editorial de S. Paulo e Fundação da Biblioteca Nacional, 2002.Ao completar setenta anos , publicou a reunião da maior parte de sua poética , com I.Amizade do mundo; II. A Idade da Eternidade, editora Novo Século, São Paulo, 2009. E  Odysseus, o velho, 2010. Suas  Antologias foram:  De  Sélesis a Danações (Ed.Quíron,SP, 1975 ), A Genealogia da Palavra (Ed. Iluminuras, SP, 1989),  Minha Voz se chamava Carlos (Unidade Editorial-Prefeitura de PA, RS, 1994), Os Melhores Poemas de Carlos Nejar, com prefácio e seleção de Léo Gilson Ribeiro (Ed. Global, S.Paulo, 1998); Breve História do Mundo ( Antologia), Ediouro, prefácio e seleção de Fabrício Carpinejar, 2003, já esgotado. Publicou, entre outros, os romances  O Túnel Perfeito, O Selo da Agonia ( ou livro dos cavalos),  Carta aos loucos, Riopampa, ou o Moinho das Tribulações ( Prêmio “Machado de Assis”, da Fundação da Biblioteca Nacional, em 2000), O Livro do Peregrino ,  A Engenhosa Letícia do Pontal,O Poço dos Milagres  (Prêmio para a melhor prosa poética da Associação Paulista de Artes, de São Paulo,2005), Jonas Assombro. É autor de do Teatro em versos : Miguel Pampa, Fausto, Joana das Vozes, As Parcas , Favo branco (Vozes do Brasil), Pai das Coisas, Auto  do  Juízo Final –(Deus não é uma andorinha),  Funarte, Rio, 1998. Ainda conta com reflexões sobre a criação contemporânea,  A chama é um fogo úmido, ( 1994), e editado pela Ed. Escrituras, 2ª edição , Caderno de Fogo, 2000. Saiu também em 2011, pela editora Leya, a 3ª edição de seus Viventes( trabalho de mais de trinta anos, espécie de “Comédia humana em miniatura” ).O escritor gaúcho, traduzido em várias línguas, tem sido estudado nas universidades do Brasil e do Exterior.