IL RACCONTO: Un Ritratto di famiglia
Camila Veiga
Three stages of life di Gustav Klimt
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugĂ»es)

C'era una volta un aeroporto. Un addio.

Lei, in tempi pericolosi, aveva deciso di navigare per i mari del comunismo. Lui, appena 5, aveva in mano un sacchetto di caramelle, perchè quelli di 5 amano mangiare caramelle! Ma quelle erano speciali. Per lei. Con grande forza di volontà aveva promesso a sè stesso "Di queste non ne mangio nessuna". E lei, con le mani occupate, dimenticò di prenderle. Ora di imbarcarsi. In lei gli occhi esitavano, le gambe decise. Doveva essere così. Lui, come per imitare qualcuno, la salutava con la manina libera. Non capiva quell'addio. Era l'ultimo tentativo di dare i dolci alla mamma. Ma lei se ne andava. Lo portarono via. E fu nell'esatto momento in cui lei piangeva di nascosto per non farsi vedere, che lui crebbe nel senso di colpa e non capendo quelle lagrime.
"La prossima volta che verrete, andremo a passeggiare per tutta Salvador. Quando mi sentirò meglio" Ma erano invenzioni di una raccontatrice di storie, non furono parole che poteva mantenere.
 
Avvenne quando ricevette la condecorazione dal governo italiano nel 2008. Vennero dall'Italia governatore, ambasciatore e molta pompa. Bella festa! "Uma cittadina veramente italiana" dissero.
Sulla mia anarchica.
L'ultima volta che la vidi
 
...Ancora era l'alba quando risposi al telefono. "Vieni presto che lui non sta bene, il sangue scende dal naso, non c'è modo di fermarlo, vieni presto." La porta socchiusa mi autorizzava ad entrare senza bussare. La micia di famiglia, inquieta, mi prendeva i gomiti, presentiva, miagolava come se volesse avvisarmi di qualcosa che io gia' sapevo da molto tempo, prima di arrivare lì.  Mi imbattei in lui in piedi alla fine del corridoio vicino alla stanza. Ancora stava in mutande. Mi guardava. E nell'ombra della notte che già se ne andava, ebbi l'impressione che avesse qualcosa in mano. Sembrava più piccolo che di solito, più indifeso che di solito.
Sul mio anarchico.
L'ultima volta che lo vidi in casa.

E pensare che restavano tre anarchici. Di carne, ossa, occhi fissi sullo stesso ideale. Se ne andarono due. E per fuggire dalla matematica mi nascosi tra le parole. Scoprii, allora, che i numeri sono anche parole. Di ritorno alla matematica: tre meno due. Numeri-parole che crudemente mi fecero restare uno, in un lampo.
 
... Lui non lo salutai. Non era giusto. Forse l'autopietismo non me lo permise. Tirando lo sguardo dalla linea continua che appariva nellìapparecchio, abbassai la testa e mi resi conto del sacchetto nella sua mano, pieno di macchie per le caramelle putrefatte dal tempo. Lui, soltanto 65, liquefatto nel sangue e rinato in un corpo infantile, tornava al sedile nella sala di imbarco dell'aeroporto, da dove non era mai uscito. Andava ad aspettare lei...
 
Lei, la salutai in sogno. Fui fino a lì. Unità di trattamento intensivo. La abbracciai, la baciai. Instancabile. Implorato. Non mi lasciasse dietro, è che lui già se n'era andato. Lei sorrise. Io mi svegliai. E fuggita dalle sue labbra mi rifugiai tra le parole. Scoprii, allora, che il sorriso è anche parola e significava addio. Lei uscì correndo incontro a lui. Doveva essere così...
 
Andati. Lei e lui. Madre e figlio. Nonna e padre. Il battito della porta fece eco per molto tempo nella mia anima vuota, casa che di spiritosa non aveva più nulla. Senza finestra, senza parete, senzo tetto, senza direzione, senza base.
 
Trovai un biglietto, proprio lì, sotto la porta. Era per me. "Non piangere bambina. Vivi la vita, scrivi la tua verità. Mai ti dimentica che sei um'anarchica."
 
Ma era solo il vicino che mi dava le condoglianze.
 
E' di questa saudade intera...Dei mei anarchici, grazie a Dio


Traduzione in italiano di A.R.R.
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Camila Veiga. Vive a São Paulo. Ha iniziato con la letteratura nel 2003 scrivendo poesie, e ha proseguito con racconti e cronache. Ha scritto il suo primo romanzo "Uma carta para Yolanda" e sta concludendo il secondo. Attualmente scrive nel blog che ha creato  www.anarquistadaspalavras.blogspot.com . Nel 2010 ha fatto parte di una antologia di racconti e poesie lanciata nella biennale del libro di São Paulo. Ha partecipato ad un articolo per il giornale "A tribuna de Santos” (2014).


 
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TEXTO EM PORTUGĂ›ES   (Testo in italiano)

Um Retratos de família 
por
Camila Veiga
                                                       
                                                     

                                                                  Three stages of life por Gustav Klimt
 
 
Era uma vez, um aeroporto. Uma despedida.

Ela, em tempos perigosos, decidira navegar pelos mares do bravio  comunismo. Ele, apenas 5, carregava na mão um saquinho de balas, porque os de 5 adoram comer balas! Mas aquelas eram especiais. Para ela. Dono de tamanha força de vontade prometera a si, "dessas não como nenhuma". E ela, de mãos ocupadas esqueceu de pegar. Hora de embarcar. Nela, os olhos hesitavam, as pernas decididas. Tinha de ser assim. Ele, que de imitar alguém, acenava para ela com a mãozinha que estava vazia. Nada entendia daquele adeus. Era a tentativa derradeira de entregar os doces à mãe. Mas ela se ia. Levaram-no. E foi no justo momento em que ela chorava escondido que ele de não ver, crescia na culpa e na ignorância daquelas lágrimas...
 
...“Da próxima vez que vierem, vamos passear por toda a Salvador. Quando me sentir mais disposta, viu?” Mas eram invencionices da contadora de histórias, não foram palavras ditas para se cumprir. 

Foi quando da condecoração que recebera do governo italiano em 2008. Vieram da Itália governador, embaixador e muita pompa. Festa linda! “Una cittadina veramente italiana”, disseram.
Da minha anarquista.
A última vez que a vi.
 
...Ainda era madrugada quando atendi o telefone. “Venha logo que ele não está bem, o sangue jorra pelo nariz, não dá jeito de estancar, venha rápido.” A porta destrancada autorizava-me entrar sem bater. A bichana da família, inquieta, enroscava-me os tornozelos, pressentia, miava como quisesse me alertar de algo que há muito eu já sabia, antes mesmo de chegar lá. Deparei-me com ele de pé no final do corredor perto do quarto. Ainda estava de cuecas. Me olhava. E na sombra da noite que já se ia, tive a impressão que segurava algo na mão. Ele parecia menor que de costume, mais indefeso que de costume.
Do meu anarquista.
A última vez que o vi em casa.
 
E pensar que restávamos três anárquicos. De carne, ossos, olhos fixos no mesmo ideal. Foram-se dois. E de fugir da matemática fui me esconder entre palavras. Descobri, então, que números também são palavras. De volta à matemática: três menos dois. Números-palavras que de cruéis me fizeram restar um, no lapso.
 
...Dele, não me despedi. Não seria justo. Talvez a auto-piedade é que não me permitisse. Desviado os olhos da linha contínua que apitava no mostrador, baixei a cabeça e me dei conta do saquinho em sua mão, cheio de nódoas pelas balas apodrecidas do tempo. Ele, somente 65, liquefeito em sangue e renascido em um corpo infantil, voltava para o banco da sala de embarque do aeroporto, de onde nunca havia saído. Ia esperar por ela...
 
...Dela, me despedi em sonho. Fui até lá. Unidade de tratamento intensivo. A abracei, a beijei. Incansável. Implorado. Não me deixasse para trás, é que ele já tinha ido. Ela sorriu. Eu acordei. E fugida de seus lábios refugiei-me entre palavras. Descobri, então, que sorriso também é palavra e significava adeus. Ela saiu corrida ao encontro dele. Tinha de ser assim...
Saídos. Ela e ele. Mãe e filho. Avó e pai. A batida de porta ecoou tempos na minha alma vazia, casa que de engraçada nada mais tinha. Sem janela, sem parede, sem teto, sem rumo, sem chão.
Reparei um bilhete, logo ali, na fresta da porta. Era para mim. "Non piangere bambina. Vivi la vita, scrivi la tua verità. Mai ti dimentica che sei  un'anarchica."
Mas era apenas o vizinho dando condolências pelo luto.
É dessa saudade inteirada... Dos meus anarquistas, graças a Deus.
 
 
 
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Camila Veiga. Vive em São Paulo. Iniciou na literatura em 2003 escrevendo poemas, passou pela experiência dos contos e crônicas. Escreveu seu primeiro romance  "Uma carta para Yolanda", tendo o segundo quase finalizado. Atualmente escreve no blog que criou, www.anarquistadaspalavras.blogspot.com . Em 2010 participou de uma antologia de contos e poesias lançada na bienal do livro de São Paulo. Participou de artigo para o jornal A tribuna de Santos” (2014).