"Rogério Duarte, o Tropikaoslista" di José Walter Lima
un documentario imperdibile nei cinema in Brasile
Antonella Rita Roscilli
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugûes)

Dal 26 aprile arriva nelle sale cinematografiche di ben 15 capitali in Brasile "Rogerio Duarte, o Tropikaoslista" , il documentario realizzato dal regista baiano José Walter Lima. In Europa ha partecipato in Germania al Festival DOK Leipzig, in Francia al Festival du Cinéma Brésilien di Parigi e venne presentato alla In-Edit Brasile-8° Festival Internazionale del Documentario Musicale di São Paolo.

Si tratta di un importante lavoro ("documentario delirante" lo definisce il regista) sulla vita di Rogério Duarte, uno dei mentori più importanti del movimento brasiliano della Tropicália, nato durante la dittatura. Ricordiamo che in questo 2018 ricorrono i cinquant'anni dall'uscita del disco-manifesto "Tropicalia" e,  per ricordare questa data, tra gli eventi previsti, l'uscita del documentario nelle sale è un momento fondamentale.

Rogério nacque nel 1939 nell´interno dello stato di Bahia e morì a Brasilia nel 2016. Fu uno dei pensatori degli ultimi cinquant'anni, professore universitario,  designer grafico, musicista, compositore, poeta, scrittore, inventore della Marginália e attivista politico. Venne imprigionato durante il regime militare negli anni '60 e quando uscì dal carcere era molto provato, ma coraggiosamente, fu il primo a dichiarare di aver subito torture, in um'epoca in cui era addirittura proibito raccontare fuori ciò che accadeva nelle carceri. Fu uomo di molteplici talenti e, per il resto della vita, continuò a fare della sua arte una forma di guerriglia culturale.

Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee sono alcuni dei nomi della Tropicália. Operarono rotture e trasformarono la struttura della musica popolare brasiliana influenzando generazioni future. Torquato Neto e Rogério Duarte, tra gli altri, si attivarono contro la "commercializzazione" del movimento, per la nascita del cinema marginale e la poesia concreta, frequentando l'ambiente culturale e fertile dell'epoca, insieme ad amici quali i poeti Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, Hélio Oiticica.  

Il regista José Walter Lima fu amico di Duarte per quarant'anni e con lui divise momenti importanti della sua vita. José Walter Lima, produttore culturale regista e artista plastico, è un personaggio chiave nella storia del cinema moderno di Bahia. Ha iniziato la sua carriera a metà anni ´60 ed è stato uno dei creatori del Grupo Experimental de Cinema da Bahia,  fondato nel 1965. Produsse concerti di Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Luis Melodia, Jorge Mautner e Jards Macalé.

Tra i suoi documentari e films ricordiamo: O alquimista do som (1978), Meteorango Kid-Herói Intergalático (1969), Nós por exemplo (1979), Brasilienses (1984), Sante Scaldaferri-A Dramaturgia dos Sertões (2010), Antonio Conselheiro-O Taumaturgo do Sertão (2010), Um Vento sagrado (2001), nei quali riprende il cammino aperto dal linguaggio cinematografico di Glauber Rocha. In Brasile ha creato il "Festival Cine Futuro", Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, un evento che ogni anno mobilita Salvador con esposizione di films, documentari, dibattiti e workshop sul cinema.

In Brasile abbiamo realizzato una lunga intervista in esclusiva per l'Italia con José Walter Lima, durante la quale così ci ha parlato di Rogério Duarte: " Era una figura fondamentale tra gli intellettuali brasiliani degli anni ´60 e ´70, come  fu Oswald de Andrade negli anni ´20.  Era un pensatore brillante e creò il manifesto del famoso film di Glauber Rocha "Deus e o Diabo na Terra do Sol", oltre a varie copertine di dischi importanti. Vere e proprie opere d´arte. Lui parlava, era coraggioso.

Fu molto attivo a Rio de Janeiro. Durante la "Passeata dos cem mil" nella Avenida Rio Branco fu arrestato insieme al fratello e vennero torturati. Era il 1968, epoca della dittatura in Brasile. A quel tempo non si poteva neppure dire che esistevano torture, pochi sapevano. Le persone perseguitate non potevano neppure parlare. Lui fu il primo a denunciare pubblicamente le torture subite dal regime militare. Cosí molti amici si allontanarono da lui per paura di ritorsioni.

Lui rimase coerente e coraggioso. Nella Tropicália rimane famosa anche la sua opposizione al produttore Guilherme Araujo da lui accusato di voler "commercializzare" il movimento. Ciò accadde quando litigó con gli altri e fondò la Marginália, ma in seguito tornò a lavorare con loro. In realtà ognuno a suo modo fu importante. Ho fatto questo documentario per amore. Iniziai le riprese nel 2013. Il documentario è basato su due lunghe interviste con lui. Il resto è materiale filmato e materiale d'archivio ".

Il documentario "Rogério Duarte, o Tropikaoslista" oltre a riscattare la storia personale e artistica di Rogério Duarte è un imperdibile spaccato sulla cultura e sulla storia del Brasile degli ultimi cinquant'anni. Una vera e propria opera d'arte che ci auguriamo, prima o poi, di poterl vedere e applaudire anche in Italia.
 

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TEXTO EM PORTUGÛES   (Testo in italiano)

"Rogério Duarte, o Tropikaoslista"  de José Walter Lima
um documentário imperdível nos cinemas do Brasil

por
Antonella Rita Roscilli


                                                                   

"Rogério Duarte, o Tropikaoslista" , o documentário realizado pelo diretor baiano José Walter Lima, em 26 de abril estreia nos cinemas brasileiros de 15 capitais. Na Europa jà participou na Alemanha no Leipzig Festival DOK e  na França, no Festival du Cinéma Brésilien de Paris. Em São Paulo participou do In-Edit Brazil-8º Festival Internacional do Documentário Musical.

Trata-se de um trabalho definido pelo próprio diretor um "documentário delirante", sobre a vida e obra de Rogério Duarte, um dos mentores mais importantes do movimento brasileiro da Tropicália. E como o ano de 2018 marca os cinqüenta anos do disco-manifesto "Tropicália", entre os eventos previstos, este documentário representa um momento fundamental de resgate histórico e artístico. Rogério Duarte nasceu em 1939 no interior do estado da Bahia e morreu em Brasília, em 2016.

Foi um dos pensadores dos últimos cinqüenta anos no Brasil, professor universitário, designer gráfico, músico, compositor, poeta, escritor, inventor da Marginália e ativista político. Foi preso durante o regime militar, na década de 1960. Quando saiu, foi o primeiro a declarar, corajosamente, que foi torturado, em uma época em que estava proibido até de dizer isso. Era um homem talentoso e, pela vida inteira, continuou a transformar sua arte em uma forma de guerrilha cultural.

Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa, Arnaldo Baptista e Rita Lee são alguns dos nomes da Tropicália, um movimento que nasceu durante a ditadura e que, com tempo, foi mudando. Musicalmente eles transformaram a estrutura da música popular brasileira influenciando as futuras gerações. Torquato Neto e Rogério Duarte, entre outros, foram ativos em muitas áreas e também contra a comercialização do movimento, para o nascimento do cinema marginal e a poesia concreta, em um ambiente cultural muito fértil, junto com amigos, como os poetas Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, Hélio Oiticica etc.

O diretor José Walter Lima foi amigo de Duarte por quarenta anos e com ele dividiu importantes momentos de sua vida. José Walter Lima, produtor cultural, diretor e artista plástico, é uma figura chave na história do cinema moderno na Bahia. Começou sua carreira em meados dos anos '60 e foi um dos criadores do Grupo Experimental de Cinema da Bahia, fundada em 1965. Produziu concertos de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Luis Melodia, Jorge Mautner e Jards Macalé.

Entre seus documentários e filmes destacamos O alquimista do som (1978), Meteorango Kid-Herói Intergalático (1969), Nós por exemplo (1979), Brasilienses (1984), Sante Scaldaferri-A Dramaturgia dos Sertões (2010), Antonio Conselheiro-O Taumaturgo do Sertão (2010), Um vento sagrado (2001), retomando os caminhos abertos pela linguagem de Glauber Rocha. E´ idealizador do Festival Cine Futuro, Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, evento que todo ano mobiliza a capital baiana com exibição de longas, curtas e animações, além da promoção de debates e workshops sobre cinema.

Com José Walter Lima realizamos no Brasil uma longa reportagem em exclusiva pela Itália, em que, entre as coisas, disse" Rogério Duarte era uma figura fundamental na intelectualidade brasileira dos anos 1960 e 70, como foi Oswald de Andrade na década de 1920. Era um pensador brilhante e criou o famoso cartaz do filme de Glauber Rocha "O Deus e o Diabo na Terra do Sol", além de capas de discos importantes. Era um homem  corajoso, ficou atrás nos bastidores da Tropicália e por isso foi importante agora fazer este resgate.

Na época Rogério era muito atuante no Rio de Janeiro. Em 1968, durante a Passeata dos "Cém Mil" na Avenida Rio Branco, foi preso com o irmão e foram torturados. Na época não se sabia que havia tortura. As pessoas perseguidas não podiam falar.  Mas ele foi corajoso. Foi o primeiro a denunciar a tortura. Arriscou, e por isso muitos amigos, depois, não quiseram mais se aproximar dele, por medo. Mas ele continuou coerente e corajoso. No grupo tropicalista ficou célebre sua oposição ao empresário Guilherme Araujo, acusando-o de querer 'comercializar' o movimento . Foi quando ele rompeu e fundou a Marginália. Mas depois se reencontrou com os outros. Na realidade cada um foi importante".  

O diretor começou a filmar em 2013 . O documentário, baseado em duas longas entrevistas com Duarte, material de filme e material de arquivo, além de resgatar a história pessoal e artística de Rogério Duarte, mergulha no imprescindível contexto histórico da época, doando uma visão da cultura e da história do Brasil dos últimos cinqüenta anos. Trata-se de uma verdadeira obra de arte que esperamos poder logo aplaudir também na Itália.