Busti in argilla e bronzo diventati ricordi
Paulo Ormindo de Azevedo
Statua del Cristo. Opera dell'artista italiano Pasquale de Chirico. Inaugurata a Salvador nel Morro di Cristo nel 1920
TESTO IN ITALIANO   (Texto em português)


Durante il periodo coloniale Bahia vantava eccellenti scultori, tutti legati all'arte sacra, che lavoravano con la pietra, come Gabriel Ribeiro, presunto autore della facciata del Terz'Ordine di San Francesco; con il legno, come Francisco Manoel das Chagas, detto Cabra, autore del Cristo morto e del Cristo sulla colonna della Chiesa di San Francesco; e con l'argilla, come Frei Agostinho da Piedade, presunto autore di San Pietro Penitente, conservato nella cappella di Monte Serrat. 
                                                       
La scultura civile fu introdotta a Bahia all'inizio del XX secolo dall'italiano Pasquale De Chirico (1873-1943) che realizzò numerosi e imponenti monumenti civici a Salvador, seguito, su scala molto più ridotta, da Ismael de Barros (1898-1993) che lavorò fino al 1975 ritraendo personaggi pubblici. Un busto viene modellato nell'argilla – di cui siamo fatti – , plasmato con sabbia e argilla e poi fuso in bronzo. Sulla stessa linea lavorò Jair de Figueiredo Brandão che succedette a Ismael come scultore ufficiale di Bahia.

                                                                                                                                                  Juarez Paraìso                                    
La statua di Zumbi dos Palmares. Opera di Márcia Magno-
                                                                                                                  Salvador  Bahia. Brasile



Una rivoluzione nella scultura baiana fu innescata dal modernista Mario Cravo Jr., a partire dal 1949, seguito da Carybé, Juarez Paraiso e Tati Moreno. Questa eredità è portata avanti oggi dalla scultrice Márcia Magno, ex direttrice della Facoltà di Belle Arti dell'UFBA - Università Federale di Bahia.

Jair Brandão fu uno degli artisti scelti da Godofredo Filho, primo direttore dell'IPHAN di Bahia (Istituto Nazionale del Patrimonio Storico e Artistico), per entrare a far parte del suo team. Integrò l'IPHAN nel 1945 e nel 1954 conseguì l'abilitazione (un titolo accademico superiore) presso la Facoltà di Belle Arti per la cattedra di Modellazione, con la tesi "Note sulla scultura religiosa bahiana", diventando professore ordinario presso la stessa facoltà.

                                                     
              Statua di Luiz Gama, avvocato abolizionista. Opera di Jair Brandao.
                                                                                   Salvador Bahia - Brasil



Una delle sue prime attività all'IPHAN fu la realizzazione di calchi di opere d'arte per un Museo della Scultura che Rodrigo Melo Franco de Andrade avrebbe voluto creare a San Paolo, anche se il proposito non si realizzò mai. Tra i suoi calchi ricordiamo quello del monumentale portale del Solar do Saldanha. Autorizzato dall'IPHAN, fece calchi di immagini in ceramica di Santa Monica e San Pietro Penitente, attribuite a Frei Agostinho da Piedade. Nel Museo di Arte Sacra di Bahia si trovano alcune riproduzioni di queste opere. Realizzò anche il calco dell'inizio della scalinata della chiesa di Santo Domingoi.

Organizzò gli archivi storici e fotografici all’ IPHAN e fu la seconda persona a ricoprire tale incarico dopo Godofredo, che sostituiva quando quest’ultimo doveva assentarsi. Nel 1974, quando Godofredo Filho andò in pensione,

Jair Brandão assunse temporaneamente la direzione dell'agenzia fino all'insediamento di Fernando da Rocha Peres. Jair Brandão non fu solo uno scultore, ma anche un ricercatore e uno storico dell'arte baiana. Venne dimenticato, come molti altri, ma oggi ancora vive nelle sue creazioni: i busti di bronzo da lui realizzati, quelli che non sono stati rubati o fusi.

 

 

i MATTOS, Ana Tereza Góis Soares de. Nem português, nem mineiro... baiano e nacional, com todo respeito: a atuação da Bahia na construção do campo do patrimônio brasileiro. Rio de Janeiro, Tesi di Master Professionale nell’ IPHAN, 2014.

 

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Paulo Ormindo de Azevedo. Brasiliano di Salvador Bahia. È laureato in Architettura presso l'Università Federale di Bahia, UFBA, e con dottorato presso l'Università di Roma, La Sapienza, Professore ordinario presso la UFBA, in pensione, occupa il Seggio n. 2 della ALB-Accademia di Lettere di Bahia. In qualità di consulente dell'UNESCO, ha svolto numerose missioni in America Latina, nei Caraibi e nell'Africa lusofona. È membro del Comitato Scientifico della Red de Patrimonio Histórico-Cultural Iberoamericano ed ex membro dei seguenti Consigli: Nacional de Política Cultural, Consultivo do IPHAN, Arquitetura e Urbanismo do Brasil e Cultura da Bahia. È stato presidente del Departamento da Bahia do Instituto de Arquitetos do Brasil e realizzatore dell’ Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia (7 v.). Giornalista, con una rubrica quindicinale di architettura e urbanistica, è autore di libri, articoli e progetti di restauro e architettura contemporanea. Ha ricevuto i Premi Rodrigo M.F. de Andrade e Mário de Andrade, dell' Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e Edgar Graef, do Instituto de Arquitetos do Brasil.

 

 
 

Articolo apparso originariamente nel quotidiano brasiliano A  TARDE- Salvador Bahia. 13 settembre 2026 

Traduzione dal portoghese di Antonella Rita Roscilli


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TEXTO EM PORTUGUÊS   (Testo in italiano)

Bustos de barro e bronze que viram memórias

por

Paulo Ormindo de Azevedo



                                                           

                     Statua del Cristo. Opera dell'artista italiano Pasquale de Chirico.
                          Inaugurata a Salvador sul  Morro di Cristo nel 1920. - Brasile 
 

A Bahia teve excelentes escultores no período colonial, todos ligados à arte religiosa, trabalhando a pedra, como Gabriel Ribeiro suposto autor da fachada da Ordem 3ª de São Francisco; a madeira, como Francisco Manoel das Chagas, o Cabra, autor do Cristo Morto e o Cristo na Coluna da Igreja de Francisco e o barro, como Frei Agostinho da Piedade, suposto autor de São Pedro Arrependido, guardado na capela de Monte Serrat.
 

A escultura civil foi introduzida na Bahia no início do século XX pelo italiano Pasquale De Chirico (1873-1943), que realizou grandes e numerosos monumentos cívicos em Salvador, seguido, numa escala muito menor, por Ismael de Barros (1898- 1993) que trabalhou até 1975 retratando personalidades públicas. Um busto é plasmado em barro - de que fomos feitos - moldado em areia e argila e depois fundido em bronze. Na mesma linha trabalhou Jair de Figueiredo Brandão que substituiu Ismael como escultor oficial da Bahia.
 

Uma revolução na escultura baiana foi deflagrada pelo modernista Mario Cravo Jr., a partir de 1949, seguido por Carybé, Juarez Paraiso e Tati Moreno. Legado que é hoje continuado pela escultora Márcia Magno, ex-diretora da Escola de Belas Artes da UFBA.


                                                                              
          Juarez Paraiso                                                                          
La statua di Zumbi dos Palmares. Opera di Márcia Magno.
                                                                                                                                          Salvador Bahia-Brasile

 

Jair Brandão foi um dos escolhidos por Godofredo Filho, primeiro diretor do IPHAN na Bahia, para integrar sua equipe. Ele entrou no IPHAN em 1945 e em 1954 fez livre-docência na Escola de Belas Artes para a cadeira de Modelagem com a tese Notas sobre a escultura religiosa baiana passando a ser professor catedrático da escola.

Uma de suas primeiras atividades no IPHAN foi fazer moldagens de obras de arte para um Museu da Escultura que Rodrigo Melo Franco de Andrade pretendia criar em São Paulo, mas não conseguiu. Dentre as moldagens realizadas estavam a monumental portada do Solar do Saldanha. Com autorização do IPHAN ele moldou imagens em cerâmica como as de Santa Mônica e São Pedro Arrependido atribuídas a Frei Agostinho da Piedade. Reproduções que se encontram no Museu de Arte Sacra da Bahia. Moldou também o arranque da escada da igreja de Santo Domingoi.
                                         
                                                 
     Luiz Gama, avvocato e abolizionista. Opera di Jair Brandao. Salvador Bahia-Brasil

No IPHAN ele organizou seus arquivos históricos e fotográficos e passou a ser a segunda pessoa depois de Godofredo, o substituindo em suas viagens. Em 1974, quando Godofredo Filho se aposentou, ele ocupou interinamente a direção do órgão até a posse de Fernando da Rocha Peres. Jair Brandão não foi só um escultor, foi um pesquisador e historiador da arte baiana, esquecido como muitos outros, mas que sobrevive nos seus bustos de bronzes que não foram roubados ou derretidos.

 

i- MATTOS, Ana Tereza Góis Soares de. Nem português, nem mineiro... baiano e nacional, com todo respeito: a atuação da Bahia na construção do campo do patrimônio brasileiro. Rio de Janeiro, Dissertação do Mestrado Professional no IPHAN, 2014.



Este artigo foi publicado originalmente no Brasil no jornal A TARDE, 13 de setembro de 2026 

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Traduzione dal portoghese di A.R.R.

 

 

 

 


Paulo Ormindo de Azevedo. Brasileiro de Salvador Bahia. E’ arquiteto pela Universidade Federal da Bahia, UFBA, doutor pela Universidade de Roma, La Sapienza, Professor Titular da UFBA,aposentado, e ocupa a Cadeira 2 da Academia de Letras da Bahia. Como consultor da UNESCO realizou numerosas missões na América Latina, Caribe e África Lusófona. É membro do Comitê Científico da Red de Patrimonio Histórico-Cultural Iberoamericano e  antigo membro dos conselhos: Nacional de Política Cultural, Consultivo do IPHAN, Arquitetura e Urbanismo do Brasil e Cultura da Bahia. Foi presidente do Departamento da Bahia do Instituto de Arquitetos do Brasil e realizador do Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia (7 v.). É jornalista com coluna quinzenal sobre arquitetura e urbanismo e autor de livros, artigos e projetos de restauração e arquitetura contemporânea. Recebeu os prêmios Rodrigo M.F. de Andrade e Mário de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e Edgar Graef, do Instituto de Arquitetos do Brasil.