L' influenza italiana sull' altare maggiore della Basilica del Monastero di San Benedetto di Bahia, in Brasile
Il Monastero di San Benedetto di Bahia (São Bento da Bahia), situato nella città di Salvador, in Brasile, fu fondato nel 1582 ed è riconosciuto come il primo monastero benedettino del Nuovo Mondo. Fin dalla sua fondazione, ha svolto un ruolo fondamentale nella diffusione della spiritualità benedettina nel continente diventando un importante centro di preghiera, cultura e conservazione del patrimonio religioso.
Per oltre quattro secoli, la sua Basilica abbaziale si è arricchita di opere di eccezionale valore artistico, che testimoniano il dialogo tra la tradizione europea e la vita monastica sviluppatasi in Brasile. Tra queste opere, spicca in modo singolare l'altare maggiore, la cui storia trascende l'ambito dell'architettura sacra per diventare testimonianza del profondo legame tra il monastero brasiliano e la tradizione artistica italiana.
La costruzione dell'attuale presbiterio, iniziata a metà del XIX secolo, fu concepita per ospitare una monumentale pala d'altare in marmo di Carrara, commissionata dai monaci benedettini a Genova che all'epoca era uno dei più importanti centri italiani di scultura marmorea. L'importanza di quest'opera fu tale che, durante la sua visita al Monastero nel 1859, lo stesso Imperatore Dom Pedro II annotò nel suo diario che era già stata commissionata una pala d'altare in marmo di Carrara per la nuova cappella maggiore. Documenti conservati nell'Archivio del Monastero rivelano che, nel corso del 1860, furono effettuati pagamenti per il trasporto del marmo e rate destinate alla ditta Fratelli Sechino, responsabile della spedizione italiana. Inoltre, nel 1861, si registra l'elevato costo dell'opera e la spedizione di 94 casse di marmo destinate a Bahia.
Questi documenti evidenziano la complessità logistica e finanziaria della realizzazione della pala d'altare, interamente eseguita in Italia secondo lo stile neoclassico e successivamente smontata, trasportata via mare e riassemblata a Salvador, dove fu inaugurata nel 1871. Più che una straordinaria opera d'arte, la pala d'altare maggiore costituisce una testimonianza concreta dei rapporti instaurati tra il Monastero di São Bento da Bahia e il mondo artistico genovese nella seconda metà del XIX secolo.
Ispirato all'ordine e alla sobrietà della tradizione classica, l'altare maggiore si dispiega come un grandioso arco trionfale, organizzato da lesene corinzie, trabeazioni e nicchie meticolosamente proporzionate, rivelando l'influenza del Neoclassicismo prevalente in Italia. Le sue caratteristiche artistiche e decorative si ispiravano direttamente ai reperti rinvenuti durante gli scavi archeologici nelle antiche città romane di Ercolano e Pompei.
Il suo programma iconografico riunisce San Benedetto, patriarca del monachesimo occidentale, Santa Scolastica, San Sebastiano, patrono della Basilica, e le Virtù Teologiche della Fede, della Speranza e della Carità, componendo un ricco percorso visivo che conduce i fedeli alla contemplazione del mistero celebrato all'altare. Ogni elemento è stato concepito non solo come ornamento, ma come espressione della teologia della liturgia, secondo la tradizione benedettina, in cui la bellezza è posta al servizio della glorificazione di Dio.
A più di un secolo e mezzo dalla sua inaugurazione, l'altare maggiore continua a occupare il centro della vita liturgica della comunità monastica. Ideata a Genova ed eseguita in marmo di Carrara da maestri scultori italiani, costituisce una testimonianza permanente del contributo dell'arte italiana al patrimonio sacro delle Americhe. Nel cuore del primo monastero benedettino delle Americhe, quest'opera mantiene viva la tradizione artistica italiana, stabilendo un legame storico, culturale e spirituale tra Italia e Brasile.
Bibliografia
FLEXOR, Maria Helena Ochi. As reformas ornamentais dos templos baianos no século XIX.
FREIRE, Luiz Alberto Ribeiro. A talha neoclássica na Bahia. Salvador: EDUFBA, 2006.
PEDRO II, D. Diário de Viagem à Província da Bahia, 1859.
ROCHA, Matheus Ramalho. Estudo sobre o retábulo-mor da Basílica do Mosteiro de São Bento da Bahia. Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia.
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Dom Anselmo Rodrigues, OSB. Monaco e sacerdote benedettino. Con Master in Storia dell'Arte presso l'Università Federale di Bahia-UFBA. Brasile. E-mail: irmaoanselmo@gmail.com
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Traduzione dal portoghese: Antonella Rita Roscilli
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Tutte le foto sono state scelte dall'autore del presente articolo ed estratte dal volume "Mosteiro de São Bento da Bahia", Versal, 2011
© SARAPEGBE.
E’ vietata la riproduzione, anche parziale, dei testi pubblicati nella rivista senza l’esplicita autorizzazione della Direzione
A influência italiana no Altar-Mor da Basílica de São Bento da Bahia – Brasil
por
Dom Anselmo Rodrigues
O Mosteiro de São Bento da Bahia, localizado na cidade de Salvador - Brasil, foi fundado no ano de 1582 e é reconhecido como o primeiro Mosteiro Beneditino do novo mundo. Desde sua fundação, desempenha um papel fundamental na difusão da espiritualidade beneditina no continente, tornando-se um importante centro de oração, cultura e preservação do patrimônio religioso.
Ao longo de mais de quatro séculos, sua Basílica Abacial foi enriquecida com obras de excepcional valor artístico, que testemunham o diálogo entre a tradição europeia e a vida monástica desenvolvida no Brasil. Entre essas obras, destaca-se de maneira singular o altar-mor, cuja história ultrapassa o âmbito da arquitetura sacra para tornar-se um testemunho da profunda ligação entre o Mosteiro brasileiro e a tradição artística italiana.
A construção da atual capela-mor, iniciada em meados do século XIX, foi concebida para acolher um monumental retábulo em mármore de Carrara, encomendado pelos monges beneditinos em Gênova, um dos mais importantes centros italianos de escultura em mármore da época. A relevância desse empreendimento era tamanha que, durante sua visita ao Mosteiro, em 1859, o imperador Dom Pedro II registrou em seu diário que já se encontrava encomendado um altar em mármore de Carrara para a nova capela-mor. Os documentos preservados no Arquivo do Mosteiro revelam que, ao longo de 1860, sucederam-se pagamentos de fretes de mármore e parcelas destinadas à firma Fratelli Sechino, empresa responsável pela encomenda italiana, além de registrarem, em 1861, o elevado custo da obra e o envio de 94 caixas de mármore destinadas à Bahia.
Esses registros evidenciam a complexidade logística e financeira da realização do retábulo, integralmente executado na Itália segundo a linguagem neoclássica e posteriormente desmontado, transportado por via marítima e montado em Salvador, onde foi inaugurado em 1871. Mais do que uma extraordinária obra de arte, o altar-mor constitui um testemunho concreto das relações estabelecidas entre o Mosteiro de São Bento da Bahia e o universo artístico genovês na segunda metade do século XIX.

Inspirado na ordem e na sobriedade da tradição clássica, o altar-mor desenvolve-se como um grande arco triunfal, organizado por pilastras coríntias, entablamentos e nichos rigorosamente proporcionados, revelando a influência do neoclassicismo difundido na Itália. Os seus atributos artísticos e decorativos foram diretamente inspirados nos artefatos descobertos durante as escavações arqueológicas das antigas cidades romanas de Herculano e Pompeia.
Seu programa iconográfico reúne São Bento, patriarca do monaquismo ocidental, Santa Escolástica, São Sebastião padroeiro da Basílica e as Virtudes Teologais da Fé, Esperança e a Caridade, compondo um rico itinerário visual que conduz o fiel à contemplação do mistério celebrado no altar. Cada elemento foi concebido não apenas como ornamento, mas como expressão da teologia da liturgia, segundo a tradição beneditina, na qual a beleza é colocada a serviço da glorificação de Deus.
Mais de um século e meio após sua inauguração, o altar-mor continua a ocupar o centro da vida litúrgica da comunidade monástica. Concebido em Gênova e executado em mármore de Carrara por mestres escultores italianos, ele constitui um testemunho permanente da contribuição da arte italiana para o patrimônio sacro das Américas. No coração do primeiro mosteiro beneditino das Américas, essa obra preserva viva a tradição artística italiana, estabelecendo um elo histórico, cultural e espiritual entre a Itália e o Brasil.
Referências
FLEXOR, Maria Helena Ochi. As reformas ornamentais dos templos baianos no século XIX.
FREIRE, Luiz Alberto Ribeiro. A talha neoclássica na Bahia. Salvador: EDUFBA, 2006.
PEDRO II, D. Diário de Viagem à Província da Bahia, 1859.
ROCHA, Matheus Ramalho. Estudo sobre o retábulo-mor da Basílica do Mosteiro de São Bento da Bahia. Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia.
Todas as foto roram escolhidas pelo autor deste artigo, extraídas do livro "Mosteiro de
São Bento da Bahia", Versal, 2011
© SARAPEGBE.
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