VIII Centenário da morte de São Francisco:
Cântico das Criaturas
(Canticum o Laudes Creaturarum) - Ano 1224 c. -
por
São Francisco de Assis
"Predica agli uccelli"- 1295-1299, Giotto. Basilica superiore di Assisi - Italia -
Em 3 de outubro de 1226, São Francisco, o Pobre de Assis, deixou este mundo. Nascido Giovanni di Pietro di Bernardone, faleceu na Porciúncula, lugar que se tornara especial para ele, onde frequentemente parava para orar. Foi ali que compreendeu que devia viver "segundo o Santo Evangelho". Foi da Porciúncula que Francisco enviou os primeiros frades para anunciar a Paz. O ano de 2026 marca o oitavo centenário da morte de São Francisco. Para a ocasião, o Papa Leão XIV proclamou um Ano Jubilar Franciscano especial, que se encerrará em 10 de janeiro de 2027, "para que, seguindo o exemplo de São Francisco, surjam nos corações sentimentos de caridade cristã para com os outros, e autênticos desejos de concórdia e paz entre os povos", conforme relatado pelo Cardeal Angelo De Donatis, Penitenziario Maggiore no Decreto della Penitenzieria Apostólica, publicado em 16 de janeiro de 2026. O Ano da Transição de São Francisco foi inaugurado na Basílica di Santa Maria degli Angeli alla Porziuncola em 10 de janeiro, e as solenes celebrações tiveram início. Por isso, desejamos dedicar a ele um espaço especial durante este ano especial.
Cântico das Criaturas
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o Senhor Irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pela qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados os que sustentam a paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes á tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade