L'ANGOLO DELLA POESIA: Poesia per rimandare la fine del mondo
Gleice Ferreira
Foto di A.R.R.
TESTO IN ITALIANO   (Texto em português)

Vieni!
chiudi gli occhi con me
e fai un respiro profondo.
scusami, ho dimenticato la fuliggine di ieri notte.
Proviamo ancora una volta.
respira con gli occhi ancora chiusi e immagina.

In questo luogo c'era una laguna scura, alberi frondosi, alberi da frutto, mangaba, araçá, baobab, alberi rossi, uccelli colorati.
Riesci a vedere i colori?
Scusami.

Vieni!
Sono rumori di vetri infranti, cristalli.
la sirena ha suonato, corri, dammi la mano.
sembra sicuro qui.
Chiudi gli occhi, stanno bruciando libri.
No, non piangere, le nostre lacrime non sono in grado di spegnere le fiamme.

Vieni!
indossando questa fascia essa impedirà che fumo e fame entrino nei tuoi polmoni.
Questo pigiama a righe odora di morte, toglilo.
Vieni!
Cerca di non smettere di respirare.
C'è una folla vestita di verde e giallo che invade la torre
Diffondono la voce che ci faranno del bene.
Vieni!
Insieme raggiungeremo l'altra riva
sicuramente i miei anziani saranno ancora lì
Tu conoscerai mia madre.
 Vieni!
Ora puoi aprire gli occhi e inspirare.
Sono io, sebbene sofferente e maltrattata ti ho guidato qui
Mi riconosci?
ti faccio una sola richiesta:
Mettimi sulla riva del fiume, innaffiami...

Vieni!
Pianterò altre me nella terra
le nostre radici si intrecciano sotto
e ricostruiremo la valle e i fiori sbocceranno
la primavera riapparirà.

Vieni!
Ora, tornando lungo lo stesso sentiero
lanciate le sementi, faremo risorgere una nuova storia.
Vieni!


 
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  Foto di Ricardo Prado
Gleice Ferreira. Scrittrice, poetessa indigena, figlia della terra del sole: Jequié (Bahia-Brasile). Attrice, agente culturale, operatrice luci, ha lanciato nel 2022 il suo primo libro artigianale intitolato "Vermelho, presente" (Rosso, presente) durante la Fiera Letteraria Flipelô. Coautrice premiata con il Premio Jabuti 2023 per la promozione della lettura. Creatrice di contenuti Parú. Le sue poesie e i suoi versi sono stati inclusi in diverse antologie: Mulheres das Ervas (Donne delle Erbe), Girassol (Girasole), Arrebol Poético (Tramonto Poetico), Se tens um dom, Seja (Se hai un dono, siilo). Vozes Ancestrais (Voci Ancestrali). Membro del collettivo Mulherio das Letras Indígenas (Donne delle Lettere Indigene). Regista e ricercatore nella serie web (Re)Conhece Os Seus Originários. Regista e produttrice di Ajurí Poético. Entrambi i progetti sono stati realizzati usufruendo di leggi di incentivo alla Cultura. Nel 2025 ha lanciato durante la Flipelô, il suo secondo libro artigianale "Cartas para Queimar" (Lettere da bruciare), ed. Arpillera.

Traduzione dal portoghese di A.R.R.

© SARAPEGBE.                                                          
E’ vietata la riproduzione, anche parziale, dei testi pubblicati nella rivista senza l’esplicita autorizzazione della Direzione  
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TEXTO EM PORTUGUÊS   (Testo in italiano)

Poesia Para Adiar o Fim do Mundo
por
Gleice Ferreira


                                                                           
                                                                             Foto di A.R.R.

Vem!
fecha os olhos junto comigo
e respira fundo.
me desculpe, esqueci da fuligem da noite passada
Vamos tentar mais uma vez
respira ainda com os olhos fechados  e imagine.
 
Havia neste lugar uma lagoa escura, árvores frondosas, frutíferas, mangaba, araçá, baobás, árvores vermelhas, pássaros coloridos.
Você consegue ver as cores?
Me desculpe.

Vem!
São barulhos de estilhaços, cristais.
a sirene tocou, corre, me dê a mão.
aqui parece seguro.
Feche os olhos, estão queimando livros.
Não, não chora, as nossas lágrimas são incapazes de apagar as chamas.

Vem!
usando essa faixa ela impedirá que a fumaça e a fome entre em seus pulmões.
esse pijama listrado tem cheiro de morte, tire.
Vem!
Tente não parar de respirar.
há uma multidão vestida de verde e amarelo invadindo a torre
espalham que vão nos fazer bem.
Vem!
juntos conseguiremos chegar do outro lado
com certeza os meus mais velhos ainda estarão lá
Você conhecerá a minha mãe.
Vem!
agora pode abrir os olhos e inspirar.
sou eu embora sofrida e maltratada te guiei até aqui
Você me reconhece?
te faço um único pedido:
Me coloque na beira do rio, me regue…

Vem!
Irei fincar outras de mim na terra
nossas raízes se entrelaçam por baixo
e reconstruiremos o vale e flores brotarão
a primavera ressurgirá.

Vem!
Agora voltando pelo mesmo caminho
lançadas as sementes faremos ressurgir uma nova história.
Vem!    
                 


 
© SARAPEGBE.                                                          
E’ vietata la riproduzione, anche parziale, dei testi pubblicati nella rivista senza l’esplicita autorizzazione della Direzione   
Gleice Ferreira. Escritora, poeta indígena, filha da terra do sol, Jequié (Bahia-Brasil). Professora, atriz, iluminadora, agente cultural, operadora de luz, lançou em 2022 o seu primeiro livro artesanal intitulado “Vermelho, presente.”  na Flipelô. Co-autora premiada no prêmio jabuti 2023 de fomento à leitura. Conteudista Parú. Tem poesias e poemas em diversas antologias: Mulheres das Ervas, Girassol, arrebol poético, Se tens um dom, seja. Vozes Ancestrais. Membro do coletivo Mulherio das Letras Indígenas. Diretora e pesquisadora na Websérie (Re) Conhece Os Seus Originários. Diretora e produtora do Ajurí Poético. Ambos projetos realizados pelas leis de incentivo à cultura. E este ano lançou na Flipelô seu segundo livro artesanal pela editora Arpillera “Cartas para Queimar”.