Jorge Amado come locomotiva delle relazioni letterarie russo-brasiliane IN ITALIANO E PORTOGHESE
Elena Beliakova
Jorge Amado ©Acervo Zélia Gattai- Fundação Casa de Jorge Amado
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugûes)

Analizzando la panoramica delle traduzioni della letteratura brasiliana in lingua russa possiamo trarre la conclusione che per i russi la storia della percezione della letteratura brasiliana si divide in tre periodi: periodo pre-amadiano, periodo di Jorge Amado e post-amadiano.

Il primo periodo va dal 1826 al 1947, eppure in 120 anni furono tradotte solamente 15 opere di autori brasiliani. La maggioranza dei lettori russi ancora non immaginava l’esistenza della letteratura brasiliana.

La seconda tappa nelle relazioni letterarie tra i nostri Paesi venne determinata interamente dalle opere e dalle attività politiche di Jorge Amado. Questa tappa ebbe inizio nel 1948 (quando fu pubblicata la prima traduzione di Jorge Amado in russo: São Jorge dos Ilhéus) e terminò nel 1991, con il cambiamento radicale della politica editoriale, con la fine dell’Unione Sovietica.

Durante un periodo di 33 anni i lettori russi conobbero l’opera di 132 scrittori brasiliani: romanzieri, poeti e drammaturghi. In questo periodo furono pubblicati 68 libri di autori brasiliani e di questi, 8 antologie in prosa e versi, opere riunite di racconti, cronache e leggende (senza considerare i libri di Amado). Furono tradotte tutte le opere più significative di classici e di contemporanei che contribuirono allo sviluppo della letteratura brasiliana.

Così i lettori russi potettero valutare gli autori brasiliani non solo attraverso stralci o racconti, ma grazie a romanzi tradotti integralmente, raccolte di racconti, antologie poetiche. Giunsero gli autori più significativi e vennero presentate alcune grandi loro opere. Mi riferisco in particolare a classici fondanti della letteratura brasiliana, ma anche a contemporanei come José de Alencar, Aloísio Azevedo, Castro Alves, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Érico Verissimo, José Lins do Rego e molti altri.

L’aumento di interesse per la letteratura brasiliana si può spiegare grazie ai grandi sforzi fatti da Jorge Amado che divulgò attivamente l’opera di tanti autori brasiliani (principalmente di compagni di partito, di scrittori comunisti); portò scrittori brasiliani nell’URSS come membri di delegazioni, indicò libri di suoi amici ai traduttori e scrisse prefazioni a molte opere letterarie. Il risultato fu la pubblicazione di traduzioni in russo di quasi tutti gli autori brasiliani. All’epoca non usciva nessuna opera letteraria che non avesse avuto la benedizione di Jorge Amado.

E nel caso in cui la prefazione non fosse stata da lui redatta, era ritenuta di grande importanza la sua opinione. Durante l’epoca sovietica tutto il sistema editoriale stava sotto il rigido controllo del partito e le valutazioni di Amado costituivano per i funzionari la garanzia ideologica per quegli autori che fossero ancora sconosciuti in Unione Sovietica.

Perciò ad un traduttore o redattore interessato alla pubblicazione di qualche autore, bastava ricevere un parere positivo di Amado per ottenere il permesso di pubblicare il libro. Di frequente i riferimenti ad Amado erano necessari per attrarre l’attenzione del lettore.

C’è da dire che per la massa dei lettori sovietici i nomi di autori brasiliani più famosi non dicevano assolutamente niente e l’unico scrittore brasiliano ampiamente conosciuto nel nostro Paese era e permane tuttora Jorge Amado. Per tutti gli studiosi di letteratura brasiliana, siano essi traduttori, ricercatori, lettori, Jorge Amado è una pietra miliare, la base sulla quale si pone la letteratura brasiliana.
Si sa che tutte le traduzioni di letteratura sovietica negli anni ‘40-‘50 furono fatte dalla editrice Paz diretta da Amado e perciò possiamo affermare che Jorge fu la vera locomotiva delle relazioni letterarie tra i nostri Paesi.

Il terzo periodo che chiamiamo post-amadiano ebbe inizio con la fine dell’Unione Sovietica e arriva fino ai tempi nostri. Insieme al Paese si disgregò anche il sistema statale di pubblicazione dei libri. Le vecchie case editrici statali scomparvero, andarono giù le tirature. Iinfatti se prima in Unione Sovietica una tiratura di 500.000 esemplari era un fenomeno comune, ora 5.000 esemplari già è considerata una buona tiratura. Decadde la cultura della pubblicazione di libri e alla fine la struttura ideologica si spostò di 180°: il comunismo venne proibito. Tutto ciò ebbe delle conseguenze sulle traduzioni di autori brasiliani in lingua russa.

Jorge Amado smise di essere definito “persona grata”. Chiaramente oggi le opere di Amado vengono pubblicate ancora perché i lettori non smisero di leggerle, ma per la pubblicazione vengono scelte opere meno ideologiche come Dona Flor, Tereza Batista, Sumiço da Santa. Dai piani editoriali vengono espulse tante opere come O Cavaleiro da EsperançaSubterrâneos da Liberdade.
Purtroppo il più richiesto dagli editori è un altro scrittore e questo scrittore è Paulo Coelho. Le tirature dei suoi libri hanno già superato quelle di Jorge Amado, ma in realtà l’unico valore di Coelho è quello di essere dello stesso Paese di Jorge Amado.
 
-------------------------------------------------------------------------------


TEXTO EM PORTUGÛES   (Testo in italiano)

Jorge Amado como a locomotiva das relações literárias russo-brasileiras
Elena Beliakova


Ao estudar todo o corpo de traduções da literatura brasileira para o russo, podemos chegar à conclusão de que a história de percepção da literatura brasileira pelos russos divide-se precisamente em 3 períodos: período pré-amadiano, período de Jorge Amado e o pós-amadiano.
        
O primeiro período durou desde 1826 até 1947, porém, em 120 anos, foram traduzidas somente 15 obras de autores brasileiros. A maioria dos leitores russos ainda não imaginava que a literatura brasileira existia.        
        
A segunda etapa nas relações literárias entre nossos países foi determinada por completo pelas obras e atividades políticas de Amado. Essa etapa teve início em 1948, quando foi publicada a primeira tradução de Jorge Amado para a língua russa (“São Jorge dos Ilhéus”), e terminou em 1991, com a mudança radical da política editorial na ocasião da derrocada da união Soviética. Em 33 anos os leitores russos conheceram a obra de 132 escritores brasileiros: prosaicos, poetas e dramaturgos.

Nesse período, foram editados 68 livros de autores brasileiros, desses 8 antologias em prosa e versos, obras reunidas de contos, crônicas e lendas (sem considerar os livros de Amado). Foram traduzidas todas as obras mais significativas tanto de clássicos como de contemporâneos que contribuíram com o desenvolvimento da literatura brasileira.

Nesse período, os leitores russos podiam julgar os autores brasileiros não por trechos e alguns contos, mas por romances traduzidos na íntegra, coletâneas de contos, antologias poéticas. Os autores mais destacados foram apresentados por algumas grandes obras. Isso se refere aos clássicos, fundadores da literatura brasileira, como aos contemporâneos: José de Alencar, Aloísio Azevedo, Castro Alves, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, José Lins do Rego e muitos outros. O aumento do interesse pela literatura brasileira pode ser explicado só pelos esforços de Jorge Amado.

Ele divulgou ativamente a obra de autores brasileiros (principalmente de companheiros de partido, de escritores comunistas); levou escritores brasileiros a URSS como membros de delegações, indicou livros de seus amigos aos tradutores e, finalmente, escreveu prefácios para livros. O resultado foi a publicação de traduções em russo de quase todos os autores brasileiros. Nenhum livro saía na época sem a benção de Jorge Amado.

Caso o prefácio não fosse escrito por ele, havia obrigatoriamente menção a sua opinião. Na época soviética todo o sistema editorial encontrava-se sob o controle rígido do partido e para os funcionários do partido a indicação de Amado era a garantia ideológica por um autor desconhecido na União Soviética.

Para o tradutor ou redator interessado na publicação de algum autor bastava trazer um parecer positivo de Amado para receber a permissão para edição do livro. Mas, muito frequentemente, as referências a Amado eram necessárias para atrair a atenção do leitor. Para a massa de leitores soviéticos os nomes dos autores brasileiros mais famosos não diziam absolutamente nada. O único escritor brasileiro amplamente conhecido em nosso país era e permanece Jorge Amado.

Para todos os receptores da literatura brasileira: tradutores, pesquisadores, leitores – Jorge Amado é uma certa pedra angular, o fundamento sobre o qual está a literatura brasileira. 
E como se sabe que todas as traduções de literatura soviética nos anos 40-50 eram feitas pela editora Paz dirigida por Amado, podemos afirmar que Jorge foi a locomotiva verdadeira das relações literárias entre nossos países.
        
O terceiro período, pós-amadiano, que teve início com a derrocada da União Soviética estende-se até os dias de hoje. Junto com o país desmoronou também o sistema estatal de publicação de livros. As velhas editoras estatais desapareceram, caíram as tiragens (se na União Soviética a tiragem de 500 mil exemplares era um fenômeno comum, agora 5 mil é uma boa tiragem), decaiu a cultura de publicação de livros, e finalmente, moveu-se em 180 graus a estrutura ideológica: o comunismo foi proibido. Tudo isso não podia não refletir-se nas traduções de autores brasileiros para a língua russa.
        
Jorge Amado deixou de ser persona grata. Claro que os livros de Amado são editados pois os leitores russos não deixaram de lê-los, mas para a publicação são escolhidas as obras menos ideológicas Dona Flor, Tereza Batista, Sumiço da Santa. Tantas obras como O Cavaleiro da Esperança ou Subterrâneos da Liberdade são expulsos dos planos editoriais.

Infelizmente o outro escritor brasileiro é mais desejado pelos editores; e este escritor é Paulo Coelho. A tiragem dos livros dele já  superou a de Jorge Amado. Mas na verdade o único valor  de Coelho é que ele é do país de Jorge Amado.
 --------------------------------------------------------------   
        
Elena Ivanovna Beliakova. Escritora, tradutora da literatura brasileira e professora em Teoria de Tradução da Universidade Federal da cidade de Tcherepovets, Rússia.
Traduziu os seguintes livros de literatura brasileira:  Jorge Amado -  Milagre dos Pássaros, Bahia de Todos os Santos, Capitães da Areia, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.  Clarice Lispector - A Hora da Estrela. Edilberto Coutinho - Maracanã, Adeus.  Machado de Assis - Contos. Maria Clara Machado – Pluft, o Fantasminha.
Em 1998 vence o  Primeiro concurso da tradução com a tradução da romance de Clarice Lispector “A Hora da Estrela” e ganha o prêmio Soros.
Em 2002 è eleita na União dos Escritores da Rússia.
Escreveu a monografia "Amado Russo, ou a Literatura Brasileira na Rússia". – Moscou.:  Instituto da America Latina, 2010. – 224 p.

Elena Ivanovna Beliakova. Scrittrice russa, traduttrice di letteratura brasiliana e docente di "Teoria della Traduzione" presso l'Università Federale di Tcherepovets, Russia. Ha tradotto i seguenti libri di letteratura brasiliana: Jorge Amado -  Milagre dos Pássaros, Bahia de Todos os Santos, Capitães da Areia, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.  Clarice Lispector - A Hora da Estrela. Edilberto Coutinho - Maracanã, Adeus.  Machado de Assis - Contos. Maria Clara Machado – Pluft, o Fantasminha.
Nel 1998 vince il primo Concorso di Traduzione con la traduzione del romanzo di Clarice Lispector “A Hora da Estrela” ed è vincitrice del Premio Soros.
Nel 2002 è eletta nell'Unione degli Scrittori della Russia. Ha pubblicato il libro  "Amado Russo, ou a Literatura Brasileira na Rússia". – Moscou:  Instituto da America Latina, 2010. – 224 p.