Note su un viaggio in Brasile
Loretta Emiri
L. Emiri Aula magna UFRR Credito Comunicação da UFRR
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugûes)

         
Recentemente ho trascorso due mesi nell’Amazzonia brasiliana, più esattamente nello Stato di Roraima dove ho vissuto per 18 anni sempre lavorando con e per gli indios.  Sono partita senza alimentare alcun tipo di aspettativa; volevo solo verificare se, all’età di quasi settantadue anni e a distanza di nove anni dal precedente, ero in grado di portare a termine un impegnativo viaggio internazionale. Ciò che è successo è andato oltre ogni possibile aspettativa.

Quando si è sparsa la voce che ero in città, i mezzi di comunicazione si sono scatenati, coinvolgendomi in interviste per giornali, radio, televisioni locali. L’Istituto di Antropologia dell’Università Federale di Roraima ha organizzato la presentazione di Yanomami para brasileiro ver. Scritto in portoghese e generosamente stampato dalla Comunità di Capodarco di Fermo nel 1994, è un libro etno-fotografico che introduce a vita e cultura degli indios yanomami, ed è diretto agli studenti. Approfittando di viaggi miei e di mia madre, nel corso degli anni i libri sono stati portati in Brasile. Dei 500 stampati, erano rimasti i 60 esemplari che ho trasferito durante il recente viaggio. Gli amici mi avevano aiutata a divulgarlo, ma l’Istituto di Antropologia ha voluto organizzare, diciamo così, una presentazione ufficiale; solo che, quando si è giunti al giorno stabilito, di esemplari ne erano rimasti 12. La casa editrice dell’università ha poi manifestato la volontà di curarne la riedizione.

Alla presentazione del libro ha fatto seguito una tavola rotonda intitolata “Popolo yanomami: sfide e prospettive”. Accanto a me ho voluto il dottor Marcos Pellegrini, medico che ha operato a lungo tra gli yanomami. Io ho ricostruito la drammatica situazione di questo popolo all’epoca della costruzione della strada Perimetrale Nord, voluta dai militari, quando varie comunità sono state decimate a causa delle malattie introdotte dagli operai della strada. Il dottor Marcos ha ricostruito la non meno drammatica situazione affrontata da questa etnia durante la massiccia invasione del suo territorio da parte di cercatori d’oro provenienti da tutto il Brasile; invasione incentivata da oligarchie e politici locali. L’appello finale della tavola rotonda è stato che gli indigeni non possono salvarsi da soli, la società civile deve stringerli in un grande abbraccio, essi hanno bisogno del sostegno di alleati, amici, simpatizzanti; bisogna unire gli sforzi e lottare insieme.

L’Insikiran è il corso universitario offerto a studenti indigeni. Essere stata invitata a proferire aula magna (lezione magistrale) di apertura del semestre mi ha, ovviamente, molto emozionata e lusingata. Prima di accettare, però, ho posto una condizione: accanto a me avrebbe dovuto esserci il maestro di etnia macuxi Inácio Brito. A causa delle grandi distanze, non è stato facile localizzarlo, ma ci siamo riusciti. Oltre che essere un carissimo amico, Inácio riportò una ferita da arma da fuoco all’epoca dell’invasione del territorio makuxi da parte dei soliti cercatori d’oro.  Con la sua presenza ho voluto ribadire ciò che ho sempre sostenuto e fatto durante gli anni brasiliani: gli indigeni  debbono avere la parola, smettiamo di parlare per loro, apriamo spazi e opportunità attraverso cui siano essi stessi ad esprimersi, in prima persona, senza intermediari. Ho voluto anche ricordare ai giovani ascoltatori che è grazie alle lotte dei loro vecchi, molti dei quali morti ammazzati, che oggigiorno possono frequentare l’università.

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Loretta Emiri. E' nata in Umbria nel 1947. Nel 1977 si è stabilita in Roraima (Brasile) dove ha vissuto per anni con gli indios Yanomami. In seguito, organizzando corsi e incontri per maestri indigeni, ha avuto contatti con varie etnie e i loro leader. Ha pubblicato il Dicionário Yãnomamè-Português, il libro etno-fotografico "Yanomami para brasileiro ver", la raccolta poetica "Mulher entre três culturas", i volumi di racconti "Amazzonia portatile e Amazzone in tempo reale" (Premio Speciale della Giuria per la Saggistica del Premio Franz Kafka Italia 2013), il romanzo breve "Quando le amazzoni diventano nonne". È anche autrice dell’inedito "A passo di tartaruga", mentre del libro "Se si riesce a sopravvivere a questa guerra non si muore più", anch’esso inedito, è la curatrice.


© SARAPEGBE                                                             
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TEXTO EM PORTUGÛES   (Testo in italiano)

 
Notas sobre uma viagem ao Brasil 
por
Loretta Emiri

                                                                 
                                                              L. Emiri Aula magna UFRR 
                                                                          Credito: Comunicação da UFRR


Recentemente fiquei dois meses na Amazônia brasileira, mais exatamente no Estado de Roraima onde vivi por 18 anos sempre trabalhando com e para os indígenas. Viajei sem alimentar qualquer tipo de expectativa: só queria experimentar se, tendo quase 72 anos e depois de 9 anos da precedente, era em condição de levar a cabo uma laboriosa viagem internacional. Aquilo que aconteceu foi bem além de qualquer possível expectativa.

Quando espalhou-se a notícia que estava na cidade, os meios de comunicação desencadearam-se, me envolvendo em entrevistas para jornais, rádio, emissoras locais. O Instituto de Antropologia da Universidade Federal de Roraima organizou a apresentação de Yanomami para brasileiro ver. Escrito em português e generosamente imprimido pela Comunidade de Capodarco de Fermo em 1994, é um livro etno-fotográfico que introduz à vida e cultura dos índios yanomami, e é dirigido aos estudantes. Aproveitando das viagens minhas e de minha mãe, no decorrer dos anos os livros foram levados ao Brasil. Dos 500 imprimidos, tinham ficado 60 exemplares que transferi durante a recente viagem. Os amigos tinham me ajudado a divulga-lo, porém o Instituto de Antropologia quis organizar, vamos dizer, a apresentação oficial; só que, quando o dia estabelecido chegou, de exemplares só tinham ficado 12. Em seguida, a editora da universidade manifestou a vontade de curar a reedição. 

À apresentação do livro seguiu uma mesa redonda intitulada “Povo yanomami: desafios e perspectivas”. Do meu lado quis a presença do doutor Marcos Pellegrini, medico que operou longamente entre os yanomami. Eu reconstruí a dramática situação deste povo à época da construção da estrada Perimetral Norte, quista pelos militares, quando várias comunidades foram dizimadas a causa das doenças introduzidas pelos operários da estrada. O doutor Marcos reconstruiu a não menos dramáticas situação enfrentada por esta etnia durante a maciça invasão de seu território por parte dos garimpeiros vindos de todo o Brasil; invasão fomentada pelas oligarquias e políticos locais. O apelo final da mesa redonda foi que os indígenas não podem se salvar sozinhos, a sociedade civil deve envolvê-los em um grande abraço, eles precisam do apoio de aliados, amigos, simpatizantes; precisamos juntar esforços e lutar unidos.

O Insikiran é o curso universitário oferecido a estudantes indígenas. Ter sido convidada para proferir aula magna na abertura do semestre, obviamente tem mi emocionado e lisonjeado   muito. Antes de aceitar, porém, pus uma condição: do meu lado deveria estar o professor de etnia macuxi  Inácio Brito. Devido às grandes distâncias, não foi fácil localizá-lo, mas conseguimos. Além de ser um amigo muito querido, Inácio levou uma ferida de arma de fogo na época da invasão do território makuxi por parte dos garimpeiros.  Com a sua presença quis reafirmar aquilo que sempre sustentei e fiz durante os anos brasileiros: os indígenas precisam ter a palavra, vamos parar de falar por eles, amos abrir espaços e oportunidades pelos quais sejam eles mesmos a se expressar, em primeira pessoa, sem intermediários. Quis também lembrar aos jovens que escutavam que é graças às lutas de seus velhos, muitos dos quais mortos assassinados, que hoje em dia podem frequentar a universidade.
 


Traduzione in portoghese di L. Emiri


© SARAPEGBE                                                             
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Loretta Emiri. Nasceu na Itália, na região Umbria, em 1947. Em 1977 estabeleceu-se em Roraima onde conviveu por anos com os índios Yanomami. Em seguida, organizando cursos e encontros para professores indígenas, teve contatos com várias etnia e seus líderes. Publicou o "Dicionário Yãnomamè-Português", o livro etno-fotográfico "Yanomami para brasileiro ver", o livro de poemas "Mulher entre três culturas", os volumes de contos "Amazzonia portatile e Amazzone in tempo reale" (Prêmio Especial do Júri para os Ensaios do Prêmio Franz Kafka Itália 2013), o romance breve "Quando le amazzoni diventano nonne". Inedito è "A passo di tartaruga”, enquanto que do livro "Se si riesce a sopravvivere a questa guerra non si muore più", inedito também, é a curadora.