Una testimonianza
Christiana de Caldas Brito
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugĂ»es)

Molto è stato scritto su Júlio Monteiro Martins. Conosciamo il suo talento come scrittore, l’entusiasmo con cui insegnava e l’importanza della pubblicazione on line della rivista Sagarana di cui lui era responsabile.
Vorrei lasciare qui una breve testimonianza su questo mio compatriota.
Vivevo a Rio e Júlio a  Niteroi. Le nostre città si trovano una davanti all’altra, affacciate sulla Baia di Guanabara, unite dal Ponte Rio-Niteroi.
Nonostante questa vicinanza, sono  venuta a conoscere  Júlio qui in Italia, nel 2000, a Lucca, quando lui mi invitò, in quanto scrittrice migrante, a partecipare a una tavola rotonda sul tema “Letteratura e Vita Quotidiana”.
Domandai a Júlio alcune informazioni sul tipo di pubblico, quanti minuti avrei avuto a  mia disposizione, qual era l’obiettivo dell’incontro. Mi ha tranquillizzato dicendo che l’incontro era del tutto informale, che ognuno era libero di dire quello che voleva.
e nella forma che scegliesse.
Quella sera ho fatto un sogno che ha trasformato in immagini quello che lui mi aveva detto. Vi racconto il sogno.

Mi trovavo alla guida di una pesante macchina nera. Dovevo partire per Lucca ma non riuscivo ad avviare il motore. Dietro di me, parecchie altre macchine suonavano il clacson con impazienza. Nonostante i miei sforzi, non riuscivo a partire. Dal posto di guida della pesante macchina nera, vedo, dall’altra parte della strada, una bicicletta. Sta lì, pacifica, come se mi aspettasse. Lascio la macchina nera, mi metto sulla bicicletta e parto verso Lucca, assolutamente tranquilla.

Naturalmente, raccontai a Júlio come il mio inconscio aveva reagito alla semplicità. con che lui mi aveva dato le informazioni richieste.
Júlio aveva l’arte di essere semplice e questo significa che rendeva chiaro e accessibile il proprio pensiero, senza appesantirlo con parole o descrizioni superflue. Con lui ho imparato a scegliere la bicicletta.
Dopo qualche tempo, entrai in contatto con un altro aspetto suo: la generosità. È  stato sempre disponibile ad aiutare chiunque si dirigesse a lui.
 
È difficile pensare che Júlio non abiti più tra di noi. Ha cambiato casa.
Credo che la letteratura e la morte abbiano in comune il potere di trasformare e ricreare la vita. Non so, però, se la letteratura continui oltre il pianeta terra. Una cosa è certa: se continua, vedo Júlio in piena attività creativa, scrivendo racconti e già a  programmare l’apertura della Nuova Scuola Sagarana.  
 
 
 
 

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Christiana de Caldas Brito. Scrittrice e psicoterapeuta vive e lavora a Roma. Laureata in Filosofia in Brasile, nell'Università Federale di Rio de Janeiro e in Psicologia a Roma Università La Sapienza con diploma convalidato all’Università di São Paulo (USP) dove ottiene anche il diploma della Scuola d’Arte Drammatica. Autrice di racconti, romanzi e testi per l'infanzia e per il teatro, conduce dei laboratori di scrittura nelle scuole secondarie e superiori. Ha pubblicato la raccolta di racconti Amanda Olinda Azzurra e le altre, Lilith, Roma, 1998, (edizione esaurita; è stato ripubblicato, da Oèdipus, Salerno-Milano, 2004). La storia di Adelaide e Marco, Edizioni Il Grappolo, Salerno, 2000 (una favola per bambini e adulti). I racconti Qui e là, Cosmo Iannone, Isernia, 2004, nella collana Kumacreola-scrittori migranti, diretta dal Professor Armando Gnisci. Il romanzo 500 temporali, Cosmo Iannone Editore, Isernia, 2006, tradotto in portoghese e presentato a Rio de Janeiro e São Paulo. Tra i numerosi premi ricordiamo nel 1995 il 2° premio, sezione narrativa, I° Concorso Letterario per Migranti (Eks&Tra e Fara Editore, Rimini) con il racconto "Ana de Jesus". Nel 1996, il racconto “Tum tum, tum tum” è premiato nel Concorso Letterario Nazionale per il Racconto Inedito, Cremona. Nel 2000, riceve a Grotteria, Calabria, un premio-riconoscimento per le sue pubblicazioni. - Nel 2003, con il libro di racconti Amanda Olinda Azzurra e le altre, ottiene il 1° Premio di Scrittura Femminile “Il Paese delle Donne”, nella Casa Internazionale delle Donne, Roma. Alcuni dei suoi racconti scritti in italiano sono stati tradotti in portoghese, francese, inglese, spagnolo e tedesco. È stata invitata dall’Istituto Italiano di Cultura di São Paulo, Rio de Janeiro, Austria e Turchia.
 

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TEXTO EM PORTUGĂ›ES   (Testo in italiano)

Um testemunho
por
Christiana de Caldas Brito


                                                                     
 
Muito se escreveu sobre Júlio Monteiro Martins. Conhecemos o seu talento como escritor, o entusiasmo com que ensinava e a importância da publicação on line da revista Sagarana de que ele era responsável..
Gostaria de deixar aqui  un breve testemunho sobre este meu compatriota.
Eu vivia no Rio e ele em Niteroi. As nossas cidades se encontram uma diante da outra, dando para a Baía da Guanabara e unidas pela Ponte Rio-Niteroi. Apesar desta proximidade, vim a cohecer Júlio aqui na Itália, no ano 2000,  em Lucca, quando ele me convidou, como escritora migrante, para participar de uma mesa redonda sobre o tema “Literatura e Vida Quotidiana”.
Pedi a Júlio alguma informações sobre o tipo de público, quantos minutos teria à minha disposição, qual era o objetivo do encontro.
Júlio me tranquilizou dizendo que o encontro era informal, que cada um possuía a liberdade de dizer o que quisesse e na forma que escolhesse.
Naquela noite tive um sonho que transformou em imagens as palavras que Júlio me havia dito. Vou contar-lhes como foi o sonho.

Estava sentada à guia de um carro grande e pesado, de cor preta. Devia ir para Lucca mas não conseguia ligar o motor. Atrás do meu carro outros carros buzinavam com impaciência, sem poder passar. Apesar dos meus esforços, meu carro não saía do lugar. De repente vejo, do outro lado da rua, uma bicicleta. Está alí, pacifica, como a esperar por mim. Deixo o carro preto, monto na bicicleta e parto para Lucca, absolutamente tranquila.

Naturalmente contei a Júlio como o meu inconciente tinha reagido à simplicidade com que ele me dera as informações pedidas.  Júlio tinha a arte de ser simples e isso significa que tornava claro e accessível  o próprio pensamento, sem o peso de palavras e descrições supérfluas .Foi com ele que aprendi a usar a bicicleta.
Depois de algum tempo, entrei em contato com um outro aspecto de Júlio: a sua generosidade. Ele estava sempre disponível e ajudava quem quer se dirigisse a ele.

È difícile pensar que Júlio não mora mais entre nós. Ele mudou de casa.
Creio que a literatura e a morte tenham em comum o poder de transformar e recriar a vida. Não sei, porém, se a literatura continue além do planeta terra. Uma cosa é certa: se continua, vejo Júlio em plena atividade criativa, escrevendo contos e já a programar a abertura da Nova Escola Sagarana.  
 
 
 

 
 
 
 
Traduzione in portoghese di C.d.C.B.
Christiana de Caldas Brito. Escritora e psicoterapeuta mora e trabalha em Roma. Formou-se em Filosofia no Brasil, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Psicologia na Universidade la Sapienza com diploma validado na Universidade de São Paulo (USP), onde também se diplomou na Escola de Arte Dramática. Autora de contos, romances e livros infantis e para o teatro, realiza oficinas de escrita nas escolas secundárias e escolas de ensino médio. Publicou a coleção de contos "Amanda, Olinda Azzurra e le altre", ed. Lilith, Roma, 1998 (edição esgotada. Foi republicada pela ed. Édipo, Salerno-Milão, 2004). "La storia di Adelaide e Marco", ed. Il Grappolo, Salerno, 2000 (um conto de fadas para crianças e adultos). Os contos "Qui e là", ed. Cosmo Iannone, Isernia de 2004, na coletanea "Kumacreola-scrittori migranti, dirigida pelo professor Armando Gnisci. O romance "500 Temporali", ed. Cosmo Iannone Editore, Isernia, 2006, traduzido para o português e apresentado no Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os inúmeros prêmios, destacamos em 1995 o 2º prémio, na seção narrativa, I Concorso Letterario per Migranti (Eks & Tra e Fara Editore, Rimini) com o conto "Ana de Jesus". Em 1996, o conto "Tum tum, tum tum" é premiado no Concorso Letterario Nazionale per il Racconto Inedito, Cremona. Em 2000, ele recebe o Grotteria, Calabria, um prêmio -reconhecimento por suas publicações. Em 2003, com o livro de contos "Amanda, Olinda, Azzurra e le altre" recebe o 1º Premio di Scrittura Femminile "Il Paese delle Donne", na Casa Internazionale delle Donne" em Roma.  Algumas de seus contos escritos em italiano foram traduzidos para português, francês, inglês, espanhol e alemão. Foi convidada pelo Instituto Italiano de Cultura em São Paulo, Rio de Janeiro, Áustria e Turquia.