História, natureza e vinhos na Burgonha
Duda Tawil
O bucólico Domaine du Grand Bois hospedagem em plena natureza.©D.Tawil
TESTO IN ITALIANO   (Texto em portugûes)


                                                                                                                                  News Sarapegbe 
Encravada no centro-este da França, a apenas 2h de trem de Paris, a regiāo da Burgonha, com algumas cidades debruçadas sobre o rio Loire, é um encanto para qualquer visitante, dos amantes de arte e história, aos da gastronomia e dos excelentes vinhos, além do turismo fluvial. 


O começo pode ser pela bela cidade de Nevers com seu Palácio do Ducado, de estilo renascentista, considerado como o primeiríssimo dos castelos do Loire em data, e é de 1500. A bela e enorme Catedral Saint-Cyr Sainte Julitte, com dois altares-mor, é romana e gótica, mas com vitrais de grandes artistas contemporâneaos visto que os originais foram destruídos nos bombardeios de 1944, durante a II Guerra Mundial. Vale a pena subir ao topo da sua torre, para uma vista de 360° da cidade.

Outro tesouro é a tumba de vidro de Santa Bernadette no antigo Convento de Saint-Gildard: movidos pela fé, 300 mil pessoas vêm em peregrinaçāo todos os anos, rezar em frente ao corpo intacto da pastora de ovelhas que viu 18 vezes a Imaculada Conceiçāo, em Lourdes, no Séc. XIX, e foi canonizada pelo papa Pio XI em 1933, no Vaticano. Célebre por sua porcelana desde o Séc. XVIII até os dias atuais, o Museu da Fainça e de Belas Artes é opçāo para os amantes das artes decorativas. 


                                                                 
   Da torre da catedral, vista aérea de Nevers com o seu Palácio do Ducado, o mais antigo dos castelos do Loire.©D.Tawil
Em Charité-sur-Loire, cidade próxima, a 30km, é obrigatória a parada na igreja de Notre-Dame, patrimônio da UNESCO desde 1998 e uma das etapas dos peregrinos rumo a Santiago de Compostela. O encontro dos rios Loire e Allier, com possibilidade de passeio de barco, é um show à parte da natureza, visto de um mirante, em plena floresta. 

Um dos pontos altos da região é o enoturismo, sobretudo na cidade de Pouilly-sur-Loire, visitando as caves dos rótulos Pouilly Fumé e Pouilly sur Loire, ambos brancos,  que estão festejando agora em julho 80 anos como marca registrada, ou AOC para os franceses, ou AOP para toda a Europa. Degustaçāo de quatro vinhos, filmes e interatividade com aromas e sabores, por 7€, podem ser vivenciados na La Tour du Pouilly, que é o ofício de turismo. Um detalhe: é também vinho de grande prestígio o tinto de Sancerre, cidade na outra margem do Loire, já no Berry. (www.pouillysurloire.fr

Entre La Charité e Pouilly está a Reserva Natural Vale do Loire: no Pavilhāo do Meio do Loire, por estar situado bem no meio entre a nascente e a foz, o turista tem todas as explicaçōes sobre a flora e fauna que cohabitam neste que é considerado o único rio selvagem da França. Exposiçōes pedagógicas, uma horta, fabricaçāo de embarcaçōes típicas, reservas para acampamentos, bicicletas e passeios fluviais. Uma vitrine viva do ecossistema e da açāo do homem nele. Outro detalhe: o Loire é navegável, o banho nāo é proibido, mas nāo incentivado. (www.reserve-naturelles.org/val-de-loire). 

                                                             
                                     O excelente chef Dominique Fonseca, do Le Coq Hardi, em Pouilly-sur-Loire.
                                                                                  ©D.Tawil
Tudo é próximo, e vale a pena subir no Belvedere da cidade de Saint-Andelain, para um amplo panorama do Departamentos da Nièvre e do Cher. Neste, a Maison des Sancerre propōe, durante uma hora, por 8€, em espaço cenográfico, uma visita lúdica e surpreendente com animaçōes, cinema 4D, degustaçāo de vinhos e butique. Subir a pé  a Torre des Fiefs, último vestígio feudal do Castelo de Sancerre: por 2,50€, compensa o esforço pela linda vista de 360°. Sancerre tem somente 2 mil habitantes, e recebe 300 mil visitantes anualmente.

A célebre Feira do Vinho de Sancerre acontece em junho, no feriado nacional de Pentecostes, e já caminha para sua 92a ediçāo em 2018 (
www.maison-des-sancerre.com).Depois, descer até Saint-Thibault, para um passeio no rio de uma hora em "toue sablière", embarcaçāo típica, como Le Raboliot, de Sylvian: com ou sem degustaçāo a bordo, as tarifas variam entre 10€ e 15€. (www.le-raboliot.com)

O
 Museu do Loire e de Belas Artes, em Cosne Cours-sur-Loire, como o nome indica, propōe um encontro entre a história do rio - lavadeiras, escavadores de areia, ribeirinhos, pescadores, navegadores, os seus objetos, a sua cultura -, e uma coleçāo de pinturas que inclui nomes como Chagall, Vlaminck, Derain e Dufy, e a Escola de Paris do início do Séc. XX. As entradas custam entre 2€ e 3,50€. (www.mairie-cosnesurloire.fr

Dicas/serviço: 
Como chegar: o mais prático sāo os trens SNCF de Paris, que saem das estaçōes de Lyon ou de Bercy. O trajeto dura em média 2h, para Nevers ou para Cosne-sur-Loire, por exemplo. 

Onde comer: os amantes da boa mesa vão ser bem acolhidos e sobretudo bem servidos no Le Bengy, do chef Dominique Gérard, em Nevers (www.le-bengy-restaurant.com). Come-se na sala ou no bonito jardim interno; em Pouilly-sur-Loire, no Le Coq Hardi, do chef Dominique Fonseca, neto de portugueses, cujo último trabalho antes de abrir seu próprio negócio foi durante 29 anos no Hotel Ritz de Paris. Come-se na sala, ou no terraço embaixo de árvores com lindíssima vista para o Loire e a vegetaçāo que o cerca. É também hotel 3 estrelas, com quartos renovados, espaçosos e aconchegantes, com estacionamento em frente, gratuito (www.lecoqhardi.fr); Le Chat, do chef Larent Chareau, com decoraçāo de gatos por todos os cantos. Fica no vilarejo de Villechaud, que pertence a Cosne-sur-Loire (restaurantlechat@orange.fr).  

Onde ficar: no Domaine du Grand Bois, um hotel no campo em Gimouille, a 10 minutos de Nevers. Bangalôs de madeira com todo o conforto de uma casa, inclusive cozinha completa, de diferentes tamanhos, do casal a famílias com quatro e com seis pessoas. As tarifas de verāo, portanto, na atual alta estaçāo, sāo, respectivamente, para uma diária: 145€, 240€ e 325€. Um lago para navegaçāo e esportes como ping-pong, canoagem, arvorismo e tirolesa, bar, pequeno mercado, café da manhā opcional, e piscinas que serāo inauguradas neste próximo fim de semana. Na direçāo, a simpática Valérie Mami, que adora bossa nova e samba na música ambiente, e seu jovem proprietário Arnaud Le Claire, que virá passar suas férias em breve, pela primeira vez no Brasil, em Jericoacoara, no Ceará. (www.grand-bois.com

Sites de informaçōes gerais: www.bourgogne-tourisme.comwww.nievre-tourisme.comwww.bourgognefranchecomte.com;www.bourgogne-nature.frwww.cen-centrevaldeloire.orgwww.les-toques-nivernaises.comwww.voyages-rouzeau.com.


N.B. O jornalista Duda Tawil participou da viagem de imprensa da APE (Associaçāo da Imprensa Estrangeira), de Paris à Burgonha/Sancerre, de 14 a 16 de junho de 2017.
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TEXTO EM PORTUGÛES   (Testo in italiano)


Duda Tawil (Eduardo Antonio Jasmin Tawil). Jornalista brasileiro de Salvador, estado de Bahia. Membro da Abrajet (Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo). Formada em Jornalismo da UFBA (Brasil), possui dois diplomas na Sorbonne, em francês "Civilização Francesa" e "Linguística Francesa" e um Mestrado em Turismo na Universidade de Nice. Outros estudos realizados na Universidade de Chicago. Colaborador do jornal nacional do Estado da Bahia "A Tarde" e "Gazeta do Turismo." Vive entre Brasil e França, como jornalista correspondente, para enviar notícias sobre os muitos eventos culturais em que participa. Membro da Imprensa Estrangeira em Paris desde 1989. Desde 2000 é também Guia Oficial de Turismo e faz parte da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo - Ministério do Turismo de Brasília).